O nosso mais profundo desejo no World MAP é o de fornecer sólidos materiais de ensino para líderes cristãos ao redor do mundo. As verdades bíblicas precisam ser equilibradas. Fazemos o melhor possível para trazermos aos nossos leitores, de uma maneira equilibrada, todo o conselho de Deus. Se formos bem sucedidos nisto, você estará livre de erros doutrinários na Revista ATOS.
Para compreendermos "todo o conselho" de Deus é necessária uma abordagem ordenada e sistemática. Precisamos ter um esboço ou forma geral que possamos seguir e consultar. Precisamos conhecer o propósito de Deus antes da Criação, o plano de Deus para o presente e para o que Ele está nos preparando no futuro.
As verdades espirituais e os princípios divinos precisam ser ensinados de uma forma prática e pessoal. Precisamos aprender não somente "sobre" a santa vontade e o propósito de Deus, mas também "como" isto tudo será concretizado no nosso cotidiano. Queremos conhecer o plano de Deus para as diversas épocas, Mas também o nosso papel neste plano – aqui e agora.
As Escrituras declaram: "Os passos de um homem bom são ordenados pelo Senhor" (Sl 37:23). Respondamos, portanto, com as palavras do salmista e oremos fervorosamente: "Ordena os meus passos pela Tua Palavra!" (Sl 119:133).
COMO JESUS EDIFICA
A SUA IGREJA
por Dr. Robert Frost e Ralph Mahoney
PARTE 1 : PLANO DE DEUS
Capítulo 1
O Plano de Deus Revelado: Criação
Introdução
Há alguns anos atrás, um grupo de líderes de igreja se reuniu a fim de responder à pergunta: "Qual o mínimo, irredutível, de entendimento bíblico de que necessita um obreiro cristão, para ser bem sucedido em ganhar almas (evangelismo), em estabelecer uma igreja e um ministério pastoral?"
O índice acima, foi a resposta à tal pergunta. São necessárias nove coisas. Elas são o mínimo de, conceitos bíblicos exigidos para conduzir um ministério.
A. DEUS DESEJA UMA FAMÍLIA
Deus-Pai deseja uma família de filhos e filhas. A forma pela qual Deus tencionava produzir esta família era um mistério (ou segredo divino) que foi revelado ao Apóstolo Paulo pelo Próprio Deus. Paulo menciona esta maravilhosa revelação em sua carta à Igreja de Éfeso:
1. Filhos Dele
"Antes que o mundo fosse criado, Deus escolheu fazer de nós filhos Seus através de Jesus Cristo..."
2. Unificados
"Ele planejou que todas as coisas, no céu e na terra, fossem unificadas sob o Seu poder.." (ATOS / 5)
3. Um Corpo
"Ele O fez Cabeça da Igreja - que é o Corpo de Cristo..."
4. Um Povo
"Neste Corpo, tanto os judeus como os não-judeus tornaram-se um só povo... Pois através de Cristo, todos podem ter acesso ao Pai gratuitamente pelo mesmo Espírito" (Ef 1:5,10,22,23; 2:14-16,18)
A palavra traduzida por "igreja" no grego do Novo Testamento é "ecclesia". Ela se refere a todos os que foram "chamados para fora" do mundo para se tornarem membros da família do nosso Pai Celestial.
O mesmo Espírito que nos "batiza" ou nos coloca no Corpo de Cristo também nos "gera" ou nos introduz na família e no Reino de Deus. Veremos como a família, o Reino, e a Igreja de Deus estão associados, durante o desenrolar da nossa narrativa.
B. DEUS REVELOU O SEU PROPÓSITO
1. Revelação: Além da Ciência e da Filosofia
Como poderemos descobrir e saber onde nos encaixamos na família do Pai? O propósito divino é celestial, eterno, e espiritual, e vai muito além dos nossos limites – criaturas limitadas pelo que é terreno, pelo tempo, e por nossas mentes. Os nossos maiores esforços não conseguem elevar-nos o suficiente – para conhecermos a mente de Deus.
O homem, através dos seus próprios esforços e capacidades, nunca conseguiria atingir um ponto suficientemente alto para tocar o Deus Altíssimo, nem o método "do bom senso" da ciência nem o método "da razão" da filosofia conseguem nos levar a Deus.
2. Revelação: do Espírito Santo
O homem não consegue descobrir a Deus por si só, mas Deus pode "revelar-Se" ao homem. Em Seu amor, poder e sabedoria, Ele escolheu fazer isto pelo Seu Espírito, através do Seu Filho.
Jesus salientou esta mesma verdade com as seguintes verdades: "Graças Te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra. Louvo-Te, pois ocultaste estas coisas dos que são sábios e entendidos, mas as revelaste aos que são semelhantes às criancinhas. Sim, Pai, esta é a Tua vontade e o Teu caminho" (Mt 11:25,26 simplificado).
Estes versículos realmente esclarecem a questão. Não conseguimos encontrar Deus através dos nossos próprios esforços – nem conhecê-Lo através da nossa razão somente. A revelação de Deus vem à medida em que estivermos dispostos a submeter os nossos espíritos ao Seu Espírito numa fé simples e semelhante à de uma criança.
Paulo estava falando com base em sua própria experiência pessoal. Ele era sábio nos caminhos do mundo – até mesmo no mundo religioso. Era um homem com muita força de vontade e ambições. No entanto, dispôs-se a submeter o seu coração e a sua mente diante do Senhor como uma criancinha ávida em aprender. E aprender foi o que fez!
O Espírito Santo é um professor sábio e poderoso. Paulo foi logo elevado além dos limites da sua mente limitada pelo tempo e do seu corpo limitado pela terra.
A revelação que recebeu havia estado oculta no coração de Deus-Pai desde antes de o tempo começar. Deus não somente revelou a Paulo o Seu propósito para as diversas épocas; Ele também o introduziu nesta revelação – e a revelação nele. Ela veio do coração de Deus para o coração de Paulo!
Deste ponto em diante, Paulo via tudo de uma perspectiva diferente. Todas as coisas na terra e no tempo eram vistas sob a luz do propósito celestial e eterno de Deus. Ele era um homem transformado, como podemos verificar prontamente pêlos resultados da sua vida.
Eis a história desta surpreendente e maravilhosa experiência com as próprias palavras de Paulo:
"Há quatorze anos atrás, fui arrebatado ao céu para uma visita. Não me perguntem se o meu corpo estava lá, ou se foi somente o meu espírito, pois eu não sei. Somente Deus pode responder isto. De qualquer forma, lá estava eu no Paraíso. E ouvi coisas tão maravilhosas que estão além da capacidade do homem de expressá-las com palavras..." (2 Co 12:2-4 simplificado).
De fato, o impacto total da revelação de Paulo não dá para ser expresso com palavras. As palavras nascem a partir das experiências aqui na terra, e, portanto, não conseguem se igualar às maravilhas do mundo celestial. No entanto, Paulo faz o melhor possível, usando palavras, para nos mostrar o propósito de Deus para as nossas vidas aqui na terra. Em seguida, Ele confia que o Espírito Santo revelará aos nossos corações a mesma verdade que Deus havia estabelecido em seu coração:
"Como as Escrituras dizem: Deus preparou coisas maravilhosas para os que O amam – coisas que vão além do que o homem pode ver, ouvir, ou até mesmo imaginar. Além disso, Ele compartilhou conosco – através do Seu Espírito – o Seu segredo. Pois o Espírito perscruta e nos mostra os segredos do próprio coração de Deus.
"Por esta razão, Deus nos deu de fato o Seu Espírito. para que pudéssemos conhecer tudo o que Ele planejou para nós em Sua graça" (l Co 2:9 12 simplificado).
Vamos, então, orar "para que o Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação" (Ef 1:17)
C. FAZEMOS PARTE DA FAMÍLIA DO PAI
O quadro do amor de Deus por Seu Filho é algo maravilhoso de se contemplar. Com base neste relacionamento de amor divino, Paulo viu desvendar-se o plano de Deus para as diversas épocas. E – maravilha das maravilhas – fazemos parte deste plano!
1. Muitos Filhos e Filhas
O grande desejo do Pai era expressar ainda mais a glória e a beleza do Seu Filho – através de uma família de muitos filhos e filhas. Cada membro desta família tornar-se-ia semelhante ao seu "Irmão Mais Velho", tanto na vida como no caráter. Quando Deus criou o homem, Ele desejava que o homem tivesse a imagem e semelhança de Cristo.
Ouça cuidadosamente enquanto Paulo tenta expressar com palavras a maravilha deste mistério:
"Há muito tempo atrás – antes mesmo que Ele criasse o mundo – o nosso querido Pai Celestial nos escolheu para que fôssemos Seus. Ele planejou fazer isto através do que Cristo faria por nós. O Pai decidiu então santificar-nos aos Seus olhos, deixando-nos totalmente imaculados. Ficaríamos diante d'Ele, cobertos com o Seu amor. Sim, o plano imutável do nosso Pai sempre foi o de fazer-nos filhos Seus. Este sempre foi o desejo e deleite do Seu coração" (Ef 1:4,5 parafraseado).
"Desde o início, o nosso querido Deus-Pai conhecia os que escolheriam amá-Lo. Ele decidiu então que estes se tornariam semelhantes ao Seu Filho. O desejo de Deus era que o Seu Filho fosse o primeiro de uma família de muitos filhos" (Rm 8:29 simplificado).
2. A Primeira Família
A revelação de Paulo dá um significado muito maior à história da Criação. Podemos observar pela narrativa de Gênesis que o desejo de Deus de ter uma família amada (de membros semelhantes a Jesus) já existia desde o princípio:
"Façamos o homem à Nossa imagem e que ele domine sobre todas as criaturas do ar, da terra, e do mar. E assim Deus criou o homem segundo a Sua Própria imagem... macho e fêmea os criou.
"E aí então Deus os abençoou e disse-lhes: Frutificai e multiplicai-vos. Enchei a terra e sujeitai-a. Dominai sobre todos os seres vivos do ar, da terra, e do mar" (Gn 1:26-28 simplificado).
A primeira família da Criação de Deus foi um homem e sua esposa, com os quais Ele tinha uma doce comunhão no frescor do dia (Gn 3:8). Eram também uma família real, pois Ele lhes havia dado um poder e autoridade de reis. Possuíam o direito de governar sobre toda a terra. Sim, a vontade de Deus em Cristo Jesus deveria ser feita na terra – através deles.
Que prazer e deleite esta esperança deve ter trazido ao coração do seu Pai e Criador. Que linda cena de amor, alegria, e paz para um Pai e Sua família. Sim, que brilhante promessa para o futuro se desvendava diante deles. Infelizmente, no entanto, apareceu de repente uma sombra maligna. A leve e adorável cena que acabamos de retratar não duraria por muito tempo. Naquela sombra obscura jazia uma astuta e linda serpente. E dentro daquela serpente movia-se o espírito maligno do próprio Satanás!
Capítulo 2
O Plano de Deus
Arruinado: Rebelião
A. HOMEM: CRIANDO À IMAGEM DE DEUS
Sim, Deus criou o homem segundo a Sua Própria imagem.
1. Livre Para Escolher
O Pai queria que Adão e Eva confiassem em Seu grande amor, sabedoria, e poder. Ele ansiava que o homem recebesse e retribuísse o Seu amor assim como o Pai e o Filho Se amavam.
O amor, no entanto, por sua própria natureza, precisa ser dado livremente não pode ser forçado. Não podemos compelir ou fazer com que alguém ame. A mesma coisa se aplica à honra, ao respeito, e à adoração. A adoração está ligada ao valor de algo. Amamos, honramos, e respeitamos o que achamos ser de grande valor ou importância.
O amor é uma escolha. A adoração é uma escolha. Escolhemos amar e adorar o que julgamos ser de grande valor para nós pessoalmente.
Deus é soberano. Ele tem total liberdade de escolher e concretizar os Seus desejos. Ele sempre escolhe o que é certo, bom, e bonito. Ele escolheu criar o homem em Sua Própria imagem para que o homem pudesse conhecer e expressar o Seu amor.
Isto significava dar ao homem o livre arbítrio. Com o poder de amar seguia-se o direito de escolher. Devido ao seu livre arbítrio, o homem pode fazer a escolha de amar, adorar, e honrar a Deus.
Quando Deus, no entanto, deu ao homem esta liberdade de escolha, houve nisto um certo risco. Significou que o homem poderia escolher o bem ou o mal o certo ou o errado. Ele poderia escolher qualquer um!
2. Criado Para Adorar
Todo mundo adora algo! As nossas vidas centralizam-se em nossos valores. Amamos, honramos, e respeitamos qualquer coisa que julgamos ser mais "valiosa" para as nossas vidas. Não é uma questão "se" vamos adorar ou não, e sim "o que" vamos adorar.
Deus criou o homem para que ele O adorasse. Com a adoração do homem a Deus viriam em consequência o seu amor, a fé, e a obediência. Servimos e obedecemos o que adoramos. Isto determina o nosso caráter e a nossa conduta as nossas atitudes e as nossas ações.
Não é de se admirar que Jesus tivesse dito: "Busquem primeiro o Reino de Deus em suas vidas" (Mt 6:33 simplificado), pois quando fazemos isto, tudo o mais se encaixa em seu devido lugar.
Deus permitiu que o homem fizesse a sua escolha de adoração, colocando duas árvores especiais no Jardim do Éden. Uma delas era chamada de "Árvore da Vida". Encoberto no mistério desta árvore estava o Autor da Vida o Próprio Senhor Jesus Cristo.
A outra árvore era a "árvore da morte". Era chamada de "Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal". O homem foi admoestado a não comer desta árvore. Ele não deveria estabelecer padrões do bem e do mal – do que é certo e do que é errado – para a sua vida, independentemente da sabedoria de Deus: "Há um caminho que parece direito à mente do homem, mas somente leva à morte" (Pv 14:12 simplificado). Encoberto no mistério desta árvore estava o autor da morte o próprio Satanás!
B. SATANÁS: MALIGNO EM SEU CORAÇÃO
Satanás, sob a forma de uma graciosa serpente, entra agora em cena. Ele é sábio nos; caminhos do mal e há um propósito maligno em seu coração. De onde veio ele? Por que está ali? O que tentará fazer? Recorramos novamente às Escrituras para encontrarmos as nossas respostas.
A Bíblia usa às vezes cenários e pessoas da terra para nos ensinar sobre as coisas celestiais e espirituais.
1. Obras Através dos Homens
O profeta Ezequiel nos fala sobre um certo rei de Tiro, o qual era muito ímpio. O controle de Satanás sobre aquele rei era tão completo que a narrativa revela um surpreendente quadro do próprio Satanás:
"Tu eras realmente perfeito em tua sabedoria e formosura. Estavas no Éden, o jardim de Deus. Tuas vestes eram adornadas com preciosas jóias... todas em lindos engastes do mais fino ouro. Tu as recebeste no dia em que foste criado. Eu te escolhi para que fosses o querubim guardião ungido. Tinhas o direito de vir ao monte santo de Deus. Andavas por entre as pedras de fogo.
"Eras perfeito em tudo o que fazias desde a época em que foste criado. Sim, eras perfeito até o dia em que o mal se achou em ti. Tua grande riqueza te encheu com um poder maligno e pecaste... Teu coração se encheu de orgulho por causa da tua formosura. Usaste a tua sabedoria de maneiras erradas para os teus próprios propósitos orgulhosos. Assim sendo, Eu te expulsei e te derribei para a terra" (Ez 28:12-19 simplificado).
O mesmo tipo de quadro é retratado pelo profeta Isaías. Com palavras poderosas, ele revela o caráter maligno do ímpio rei da Babilônia. Uma vez mais, o profeta nos mostra a figura maligna de Satanás operando através de um homem. "Como caíste do céu, ó Lúcifer, estrela da manhã! Foste lançado à terra muito embora fosses poderoso contra as nações do mundo.
"Pois dizias em teu coração: Subirei ao céu e dominarei os anjos. Tomarei o mais alto trono. Governarei do alto do monte santo de Deus. Subirei ao mais alto céu e serei semelhante ao Altíssimo. No entanto, serás derribado ao mais profundo abismo do inferno" (Is 14:12-15 simplificado). Cinco vezes Satanás se rebela contra "a vontade de Deus" com "a sua vontade própria". (É importante ressaltarmos que o Corpo de Cristo sofreu cinco ferimentos na Cruz o poder da rebelião ou vontade própria de Satanás foi totalmente destruído.) 2. Criado com Livre Arbítrio Satanás, e todos os outros seres angelicais, foram criados com um livre arbítrio para amarem, honrarem, adorarem, e servirem a Deus. Como já dissemos anteriormente, a criação de seres com uma liberdade de escolha traz consigo um grande risco o perigo da rebelião. Estes seres têm o direito de fazerem escolhas erradas. Os resultados destas escolhas erradas podem ser trágicos. A rejeição do amor, da verdade, e da bondade de Deus significa colhermos os resultados do ódio, do pecado, e do mal. Rejeitar uma opção significa escolher a outra exatamente como o jogo de cara ou coroa com uma moeda um lado ou o outro será o vencedor. Infelizmente, Satanás fez a escolha errada!
Sim, as Escrituras de Ezequiel e Isaías parecem indicar que Satanás havia sido criado por Deus para um sublime e nobre propósito. Ele era perfeito em sua formosura e sabedoria, e havia recebido um grande poder e autoridade. Os querubins do Livro do Apocalipse estão ligados à adoração celestial. É possível que Satanás tenha, outrora, não somente governado as hostes celestiais, mas também dirigido tais hostes em sua adoração a Deus. O seu dever e responsabilidade eram o de guardar a santa vontade e a palavra de Deus, e honrar ao Senhor sob todas as formas. Parece que ele era o "supervisor" dos exércitos celestiais.
3. Cegado Pelo Orgulho
Devido à sua formosura e posição, o orgulho entrou no coração de Satanás. Paulo o usa como um exemplo ao admoestar sobre o orgulho os "supervisores" da Igreja Primitiva.
"O supervisor precisa ser irrepreensível em todas as áreas da sua vida... Ele não pode ser um novo convertido, pois ele pode ser cegado pelo orgulho e entrar em julgamento, como foi o caso do diabo" (l Tm 3:2,6 simplificado).
O Céu é santo e perfeito. Portanto, o pecado de Satanás deve ter surgido em seu próprio coração. O orgulho e a ânsia de poder tornaram-se a sua derrocada. Ele encontrou mais prazer em sua própria formosura do que na glória de Deus. Tornou-se altivo a seus próprios olhos e buscou a honra e o poder que pertencem somente a Deus.
Satanás queria a adoração celestial e a autoridade do Trono de Deus. E estava disposto a rebelar-secontra o Deus Altíssimo para obtê-las. Infelizmente, um grande número das hostes celestiais uniu-se a Satanás em sua rebelião (2 Pe 2:4; Jd 6).
Ficamos imaginando o motivo pelo qual Satanás e suas hostes acharam que poderiam ser bem-sucedidos em sua rebelião contra Deus. As Escrituras dizem até que ele era "cheio de sabedoria".
Como já vimos, no entanto, existe uma "cegueira" no orgulho. O engano significa crer que algo esteja correto quando está errado, que seja bom quando é maligno!
Com o orgulho vem também o engano. Satanás foi realmente enganado. Ele era esperto demais para tentar algo que fosse claramente fadado ao fracasso. Ele achava mesmo que poderia vencer!
4. Duvidou e Desobedeceu
Ninguém jamais havia desobedecido a Deus. O Seu poder e a Sua autoridade nunca haviam sido testados. Os resultados da rebeldia nunca haviam sido vistos. A morte não era conhecida. Além disso, esta era a primeira vez em que os poderes do bem e do mal entravam em conflito. A batalha de todos os tempos estava para começar!
Diferentemente de Deus, Satanás não era "onisciente", ou seja, ele não conhecia todas as coisas. Sendo um ser criado, tudo o que tinha para se nortear era a palavra de Deus.
Com o orgulho vem o engano. E com o engano vem a dúvida. Satanás começou a duvidar da palavra de Deus, e consequentemente, ele decidiu desobedecê-la.
Os elos da corrente do mal podem agora ser claramente vistos: orgulho engano dúvida desobediência. O último elo era desconhecido e imprevisto era o elo da "morte"!
5. Deus Sabia Desde o Princípio
Uma visão geral das Escrituras parece indicar que Deus escolheu realizar o Seu propósito na Criação através de criaturas com o livre arbítrio. Os anjos, e mais tarde o homem, foram criados com uma liberdade de escolha.
Como foi dito anteriormente, isto envolvia um grande risco. Havia o perigo de escolhas erradas e dos resultados maléficos que se seguiriam. Deus previu esta possibilidade, porém descansou em Seu conhecimento de que no final:
a. O BEM venceria o MAL
b. O AMOR venceria o ÓDIO
c. A LUZ venceria as TREVAS
d. A VERDADE venceria o ENGANO
e. O CERTO venceria o ERRADO
Além disso, estas nobres qualidades do caráter de Deus seriam expressas através dos que escolheram amá-Lo, honrá-Lo, e obedecê-Lo.
No Céu isto seria realizado através dos anjos que escolheram permanecer leais ao seu Criador.
Na terra isto se faria através de uma família real de filhos e filhas amados.
O "Primogênito" desta família seria o Próprio Senhor Jesus. 6. Expulso do Céu É possível que Satanás tenha tido ciúme do amor, da honra, e da adoração que eram dados a Deus pelas hostes celestiais. A rebelião de Satanás foi uma tentativa de tomar o lugar de Deus e receber a adoração que pertencia ao Próprio Deus. Vocês se lembram como o diabo ofereceu a Jesus os reinos deste mundo numa tentativa de fazer com que Jesus o adorasse no deserto (Lc 4:5-8)? Este incidente nos mostra que o diabo desejava a adoração que pertencia somente a Deus.
Ao opor-se a Deus, Satanás delineou as regras de guerra para o permanente conflito entre o bem e o mal.
Como já sabemos pelas Escrituras já mencionadas, Satanás não foi capaz de ser vitorioso no Céu. Ele e sua hoste de anjos caídos foram expulsos. O que perderam no Céu, no entanto, tentariam recuperar mais tarde na terra, no Jardim do Éden. 7. Engana a Eva
Deus criou o primeiro homem e a primeira mulher e lhes disse para sujeitarem a terra e para enchê-la com uma família de filhos amorosos e leais a Ele.
É, portanto, para esta terra e para esta família que Satanás vem agora. A batalha que começou no Céu alcança agora a nova Criação de Deus. Satanás busca roubar da primeira família terrena a sua herança, tentando-os a cometerem o mesmo pecado que causou a sua derrocada dos pináculos celestiais o orgulho e a rebeldia!
Ele vem a Eva sob a forma de uma sábia e linda serpente. Ele não pode sobrepujá-la, pois ela recebeu autoridade sobre todas as criaturas da terra. Ele tem somente uma maneira de alcançá-la com o seu propósito maligno o engano! Agora podemos ver o motivo de Jesus ter chamado Satanás de "o pai da mentira" (Jo 8:44).
O Apóstolo Paulo cita este engano em sua segunda carta à Igreja de Corinto. Ouça as suas palavras de admoestação:
"Temo por vocês. Tenho medo de que as suas mentes sejam desviadas do seu puro amor e lealdade para com Cristo. Foi isto o que aconteceu a Eva ao ser enganada pelo diabo aquela astuta e esperta serpente" (2 Co 11:3 simplificado).
Sim, Satanás usou a "Árvore do Conhecimento" (a mente do homem) como instrumento seu para alcançar as vidas deles. Vocês se lembram que Deus lhes havia dito para não comerem daquela árvore específica. Ouçamos novamente as Suas palavras de advertência: "Vocês poderão comer livremente de qualquer árvore do jardim. Contudo, não poderão comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, pois no dia em que dela comerem certamente morrerão!" (Gn 2:16,17 simplificado). a. Uma Corrente Maligna é Forjada.Satanás começa então a formar a sua corrente do mal: orgulho engano dúvida desobediência morte. Estudemos agora cada um dos elos desta corrente da maneira encontrada na própria narrativa:
"Ora serpente era mais esperta e astuta do que qualquer outro animal selvagem que o Senhor Deus havia criado. Ela disse à mulher: Deus disse mesmo que vocês não podem comer de nenhuma árvore do jardim?
"A mulher disse à serpente: Deus disse que poderíamos comer de qualquer uma das árvores do jardim, exceto a árvore [do conhecimento do bem e do mal] que se encontra no meio do jardim. Ele nos disse para não tocarmos nela, ou certamente morreríamos.
"Vocês não morrerão certamente, disse a serpente à mulher. Deus sabe que quando vocês comerem dela, os seus olhos serão abertos. Aí então vocês serão como Deus, sabendo a diferença entre o bem e o mal.
"Então a mulher viu que o fruto da árvore era bom para se comer e agradável aos olhos. Era algo a ser desejado, pois daria sabedoria às pessoas. Sendo assim, ela pegou um pedaço do fruto e o comeu. Ela também deu um pedaço ao seu marido, que o comeu também" (Gn 3:1-6 simplificado).
Satanás lhes disse que o fruto da Arvore do Conhecimento do Bem e do Mal não era algo a ser temido, e sim para de fato ser desejado. Ao invés de morrerem como Deus havia dito, começariam realmente a viver. Na verdade, tornar-se-iam semelhantes a Deus e seriam capazes de decidirem por si próprios o que era bom ou mal certo ou errado. Não precisariam de Deus para dirigir suas vidas. Poderiam conhecer a si próprios, serem eles mesmos, e aperfeiçoarem-se ao máximo e tudo isto sozinhos. Aí então o reino, o poder, e a glória seriam deles só deles! Se Deus os amasse de fato Ele Próprio lhes teria dito isto.
É fácil vermos como Satanás primeiramente lançou as sementes do orgulho e do desejo egoístico. Em seguida, ele os enganou com o intuito de fazê-los duvidarem de Deus. Ele fez com que duvidassem da Palavra de Deus, do amor de Deus, e do Seu poder e autoridade. A dúvida deles os levou à desobediência e essa desobediência os levou à morte! C. HOMEM: DESOBEDECEU E PERDEU TUDO
Ao tentar encontrar a sua vida independentemente de Deus, o homem perdeu tudo. Infelizmente, a mentira funcionou tão bem na terra como havia funcionado no Céu. Ao crer nas mentiras de Satanás, a mulher desobedeceu e submeteu-se ao julgamento que Deus havia prometido. Muito embora Adão não houvesse sido enganado, ele também escolheu pecar e com isto, entregou-se ao domínio de Satanás.
Satanás foi rápido em tomar o cetro o bastão real do domínio em suas próprias mãos. A autoridade que havia sido outorgada ao homem foi então assumida por Satanás. O homem encontrou-se sob a autoridade do reino das trevas e da morte.
Parecia que uma tragédia eterna havia se manifestado. Muitas coisas foram perdidas pelo homem como consequência do seu pecado e desobediência:
1. Ele perdeu o seu relacionamento como filho amado. 2. Perdeu a sua cobertura divina e a sua autoridade outorgada por Deus. 3. Perdeu a beleza da imagem de Deus em sua vida. 4. Perdeu o seu destino no propósito divino. 5. Perdeu a sua própria vida em espírito, alma, e corpo.
Parecia que o plano de Deus havia se arruinado antes mesmo de começar. Como Satanás deve ter se alegrado nesta derrota do santo propósito de Deus! Satanás pensou que a batalha perdida no Céu havia sido ganha na terra. Agora ele se tornara o príncipe deste mundo. E enquanto ele governasse a terra, a glória e o poder do Filho de Deus nunca reinariam nos corações dos homens.
Havia, no entanto, um aspecto do caráter de Deus sobre o qual Satanás não sabia nada. Era a Sua graça! Satanás não conhecia a força do amor de Deus até onde iria para que o homem pudesse ser salvo e restaurado. Gostaríamos de estudar cuidadosamente o grande plano de salvação de Deus, pois nele encontra-se a esperança do homem para a sua restauração ou recuperação das suas perdas.
Capítulo 3
O Plano de Deus Restaurado: Redenção
A. TODOS NÓS PRECISAMOS SER SALVOS
Antes de estudarmos o grande plano de salvação de Deus, precisamos compreender por completo a nossa necessidade de sermos “salvos”. Todos nós precisamos ser salvos, tanto da penalidade como do poder do pecado – porque todos somos pecadores. Somos pecadores por “natureza” e por “prática”. As Escrituras esclarecem muito esta base dupla do pecado:
1. Pecadores por Natureza
“O pecado entrou no mundo [na raça humana] através de um homem – Adão. A consequência do pecado foi a morte. Portanto, a morte espalhou-se a todos os homens porque[em Adão] todos pecaram” (Rm 5:12 simplificado).
Como cabeça da raça humana, Adão infectou – como numa enfermidade – toda a humanidade com o seu próprio pecado. Assim sendo, somos pecadores ao nascermos, e por natureza. Nascemos com uma natureza pecaminosa. As crianças não precisam aprender a pecar, pois são pecadoras congênitas (como seus pais).
2. Pecadores por Prática
“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas. Cada um se desviava pelo seu próprio caminho... Verdadeiramente todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus [do Seu santo caráter]” (Is 53:6; Rm 3:23 simplificado).
Todos somos pecadores, não somente por natureza, mas também por escolha e por prática. Todos cometemos atos de pecado. Todos escolhemos a nossa vontade própria e o nosso caminho independentemente de Deus.
3. Morte: Penalidade do Pecado
Contudo, o caminho de Deus é o único caminho para a vida eterna. Todos os outros caminhos levam à morte. Independentemente de Deus não temos nenhuma esperança. Perdemos tudo – para sempre.
O Apóstolo Paulo expressa esta verdade de uma forma bem clara, mas nos dá também a esperança que necessitamos, com as seguintes e conhecidas palavras:
‘‘Porque a penalidade para o pecado é a morte, mas o dom de Deus é a vida eterna através de Jesus Cristo nosso Senhor” (Rm 6:23 simplificado).
4. Graça: Uma Dádiva de Deus
A graça é um dom que não adquirimos. A misericórdia é uma bondade que não merecemos. Deus, por natureza, é cheio de graça e misericórdia. Estas são qualidades do Seu amor.
Deus é amor, mas Ele também é santo e justo. Pelo fato de Deus ser santo e justo, Ele não pode fazer vista grossa ao pecado do homem.
Se eu pecar (quebrar a lei) e for trazido diante de um juiz justo (reto), ele honrará a lei ou seja, imporá a penalidade prescrita pela lei para o meu crime.
Quando um juiz da terra é empossado em seu cargo, ele precisa jurar que honrará a lei. Infelizmente, há juizes que quebram o seu juramento – são juizes injustos e iníquos.
Deus é um juiz de retidão. Se Deus não exigisse que a penalidade pelo pecado fosse imposta (paga), então Ele seria um Deus iníquo. Qual é então a penalidade pelo pecado? E quem pagará por ela?
Como já vimos, a penalidade é a morte. “A alma que pecar certamente morrerá!” (Ez 18:4,20 simplificado). E o pecador é o indivíduo que merece pagar este preço. Somente desta forma a justiça de Deus pode ser satisfeita.
Uma vez que a penalidade tenha sido paga, somos “justificados” aos olhos da lei. Esta é a única maneira pela qual podemos ser “perdoados” de nossos pecados.
Morrer por nossos pecados significa separação. A morte física significa uma separação dos nossos corpos. A morte espiritual (que é a consequência ou penalidade pelo pecado) significa uma separação de Deus.
O nosso Pai Celestial nos criou para que tivéssemos comunhão em Sua família – uma família que expressasse a gloriosa vida do Seu Filho. O nosso pecado estraga este lindo relacionamento – não somente para nós, mas para Ele também.
Há alguma maneira possível para este relacionamento de amor e de vida poder ser restaurado? Será que tanto Deus quanto o homem precisam sofrer a dor da penalidade do pecado para sempre? Será que há alguma maneira que possa restaurar o homem ao plano de Deus e à comunhão da família? Louvado seja Deus! A resposta é sim! Chama-se “redenção”!
5. Redenção: A Graça de Deus em Ação
“Que vocês possam ser sempre gratos ao nosso Pai Celestial. Ele preparou muitas coisas maravilhosas para o Seu povo que anda na luz. E Ele nos capacitou a possuirmos todas estas coisas.
“O Pai fez isto, libertando-nos do poder das trevas, e introduzindo-nos no Reino do Seu amado Filho. Sim, fomos redimidos – comprados e trazidos de volta – pelo Seu sangue. Em Jesus temos de fato o perdão dos nossos pecados” (Cl l :12-14 simplificado).
“Redimir” significa comprar e trazer de volta algo que foi perdido. Deus, em Sua graça e misericórdia, veio ajudar o homem, pois o homem não poderia redimir a si próprio. O Próprio Cristo morreu no lugar do homem e pagou a sua penalidade de forma tal que as exigências da lei quebrada e da justiça de Deus fossem satisfeitas.
Agora o homem pode ser “justificado” diante da lei. Ele pode ter retidão diante de Deus e ser perdoado do seu pecado. O seu registro pode ficar limpo. Nenhuma falha será agora colocada contra ele se ele pedir que Jesus perdoe o seu pecado. O homem poderá então apresentar-se diante da santa lei de Deus sem temor.
Sim, a penalidade pelo seu pecado foi paga e quando você recebe a graça d’ Ele, a sua culpa termina. Cristo morreu na Cruz em seu lugar. Você e eu deveríamos ter morrido por nossos próprios pecados, mas “... Cristo morreu por nós” (Rm 5:8).
O preço por nossa "redenção", no entanto, não foi barato. Para nos comprar e nos trazer de volta à Sua família, o Próprio Deus teve de pagar a penalidade por nosso pecado, o que Lhe custou a vida do Seu Próprio Filho. Jesus Cristo veio para esta terra na forma de homem para morrer como homem pêlos pecados do mundo, para que pudéssemos ser redimidos. O puro, santo, e imaculado Filho de Deus tomou sobre Si Mesmo o nosso pecado e morreu numa cruz. Ele fez isto para que pudéssemos ser justificados diante de Deus e uma vez mais encontrarmos o nosso lugar em Sua família. Ele morreu para que pudéssemos viver. Esta é, de fato, a graça de Deus!
Tenho a certeza de que Satanás não contava que Deus chegasse tão longe a ponto de enviar o Seu Próprio Filho para morrer por nossos pecados. Mas Ele o fez! "Porque Deus amou o mundo (de pecadores) de tal maneira que deu o Seu único Filho. Todos os que crerem n'Ele nunca perecerão nem morrerão. Ao invés, viverão para sempre" (Jo 3:16 simplificado).
6. Restauração: O Resultado da Redenção
Deus não foi pego de surpresa pelo pecado do homem. A dádiva do Filho de Deus foi feita até mesmo antes de o homem ser criado:
"Cristo foi escolhido para morrer por vocês antes que o mundo [ou o homem] foste criado. Mas Ele foi revelado e manifestado ao mundo nestes últimos tempos.
"Deus pagou um preço para salvá-los do vão estilo de vida que vocês herdaram de seus pais. Contudo, vocês não foram redimidos com algo perecível como a prata, ou o ouro. Vocês foram comprados e restaurados com o precioso sangue de Cristo, um puro e perfeito Cordeiro" (1 Pe 1:18-20 simplificado).
"Restauração" significa a volta de algo ao seu lugar e condições originais onde e como se encontrava no início. Quando o homem caiu, Deus não mudou de idéia com relação ao Seu plano de possuir uma família amada e real. O Seu propósito ainda era encher toda a terra com filhos e filhas cujas vidas refletissem a beleza do seu Deus. Portanto, tão logo o homem pecou e caiu do seu lugar de autoridade real, o plano de redenção de Deus foi colocado em ação.
a. O Plano da Redenção Revelado. É interessante que este plano tenha sido primeiramente revelado ao próprio Satanás após a queda. Pela narrativa, parece que Adão e Eva também estavam presentes. A palavra do Senhor, no entanto, foi falada diretamente à serpente:
"E o Senhor Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isto, maldita és, mais do que todos os outros animais... De agora em diante tu e a mulher serão inimigos. Isto também se aplicará a toda a tua semente [descendência] e à Semente dela [Jesus]. Ferirás o Seu calcanhar, mas Ele esmagará a tua cabeça" (Gn 3:14,15 simplificado).
Havia duas promessas principais feitas por Deus; ambas foram dirigidas à Santanás:
1) Você Ferirá o Calcanhar Dele. "Você [a serpente] ferirá [a semente da mulher] o calcanhar dele..."
A "Semente da Mulher" refere-se a Jesus. Deus disse à serpente que ela feriria o Seu calcanhar (de Jesus), mas que o ferimento não seria fatal em última análise. Isto se refere à morte e ressurreição de Jesus. Satanás que tomou de Adão o poder da morte não poderia reter Jesus na sepultura!
2) Ele Esmagará Sua Cabeça. A Semente (Jesus) esmagaria algum dia a cabeça da serpente. Isto se refere a um ferimento fatal, impossível de ser recuperado. A derrota e destruição da serpente seriam finais. A expressão "esmagará a tua cabeça" é muito importante. A palavra "cabeça" refere-se ao poder e autoridade para se governar.
A nossa história no Jardim do Éden torna-se agora bem dramática. O Próprio Deus está dizendo ao diabo que algum dia a Semente da Mulher (Jesus) retomaria das suas garras o cetro do governo mundial. Através da morte de Cristo na Cruz, o homem seria redimido e Satanás seria derrotado e despojado de todo o seu poder.
O domínio seria restaurado à família de Deus. O Filho de Deus nascido como Filho do Homem recuperaria para a humanidade redimida a autoridade para governar o que havia perdido através do pecado.
O Reino do Céu governará a terra algum dia através da família de Deus, que é composta de reis e sacerdotes. Jesus, o nosso Real Irmão Redentor é o "Primogênito" desta gloriosa família. Através d'Ele temos uma vitória que durará para sempre
7. Aceite a Dádiva de Deus
Verdadeiramente, a nossa "redenção" é uma grande maravilha da graça de Deus. A dádiva do Filho de Deus revela o Seu grande amor pelo homem pecaminoso. No entanto, muito embora Deus tenha feito isto tudo por nós em Cristo, ainda assim podemos perder todas estas coisas.
Uma dádiva (ou presente) não tem valor algum para quem é dada, a menos que seja aceita. Se alguém nos der um copo de água fresca, de nada nos servirá se não o bebermos. Precisamos aceitar a dádiva da graça de Deus "recebendo" a Jesus Cristo em nossos corações como nosso Senhor e Salvador. Nós também precisamos confessar que somos pecadores e que precisamos ser salvos da penalidade do nosso pecado. Se perdermos o amor de Deus perderemos a vida eterna para sempre!
"Deus demonstrou o Seu grande amor para conosco da seguinte maneira: Cristo morreu por nós enquanto ainda éramos pecadores..."
"Assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos pelo Pai, assim também haveremos de andar em novidade devida..."
"Porque Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em Seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida, mas quem não tem o Filho de Deus não tem a vida!..."
"Portanto, somente os que recebem ao Senhor Jesus como seu Salvador recebem o direito de se tornarem filhos de Deus" (Rm 5:8; 6:4; l Jo 5:11,12; Jo 1:12 simplificado).
B. AS DUAS PARTES PARA A SALVAÇÃO
Imediatamente podemos ver pelo que foi exposto que há duas partes em nossa salvação: a parte de Deus e a nossa parte. Ele faz um papel que não podemos fazer. Nós, porém, temos uma parte a cumprir que Deus não faz. Podemos rever estes conceitos da seguinte forma:
1. A Parte de Deus em Nossa Salvação
Ele nos confronta e nos convence do nosso pecado. Em outras palavras, Deus nos confronta com as nossas falhas. Ele prova que somos culpados e nos mostra a penalidade que precisamos pagar por nosso pecado a morte! Ele faz isto através da Sua Palavra e do Seu Espírito. A palavra-chave é "culpa"!
Aí então Ele nos revela como podemos ser "salvos" da penalidade pêlos nossos pecados e como podemos encontrar o nosso lugar em Sua família. Ele faz isto levando-nos a Jesus Seu Filho e nosso Salvador. A Sua morte na Cruz prova que Deus não é somente santo e justo, mas também amoroso e misericordioso. A palavra-chave é graça!
2. A Nossa Parte em Nossa Salvação
Precisamos responder à nossa culpa e à graça de Deus confessando o nosso pecado e o Filho de Deus. "Confessar" significa concordar, dizer a mesma coisa. Precisamos concordar com Deus que somos pecadores e que precisamos de um Salvador. A palavra-chave é confessar!
Precisamos então nos arrepender e receber a Cristo como nosso Salvador. "Arrepender-se" significa mudar de idéia. Portanto, escolhemos agora a vontade e o caminho de Deus para nossas vidas, ao invés da nossa própria vontade e caminho. Fazemos isto, pedindo que Jesus entre em nosso coração para ser tanto Salvador como Senhor. Respondemos ao amor de Deus pela fé em Seu Filho e pela obediência à Sua Palavra. As palavras-chave são arrepender-se e receber!
C. OS RESULTADOS DA SALVAÇÃO
Os resultados da nossa salvação são a conversão e a restauração. "Converter" significa mudar a direção e seguir uma outra. Pela graça de Deus mudamos a direção do nosso caminho de morte e passamos a seguir o Seu caminho de vida. A palavra-chave é conversão!
Outrora estávamos "alienados" ou separados d'Ele pelo nosso pecado e desobediência. Em Cristo fomos "restaurados" à comunhão com a amada família real de Deus. A palavra-chave é restauração!
Sim, precisamos receber a Cristo em nossos corações como nosso Salvador para sermos perdoados de nossos pecados e para termos a vida eterna. Porém, há ainda mais coisas ligadas à nossa grande salvação. Não somente os nossos pecados são perdoados em Cristo, mas também recebemos muitos outros benefícios e bênçãos, os quais são:
1. Um Novo Espírito
"Colocarei o Meu Espírito dentro de vocês e farei com que andem em Meus caminhos e guardem as Minhas leis" (Ez 36:27 simplificado).
2. Uma Nova Vida
"Este é o testemunho: Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em Seu Filho" (l Jo 5:11 simplificado).
3. Um Novo Nome
"E chamar-te-ão por um novo nome, dado pela boca do Senhor... E em Antióquia os discípulos foram pela primeira vez chamados de cristãos" (Is 62:2; At 11:26 simplificado).
4. Uma Nova Natureza
"Portanto, se alguém estiver em Cristo Jesus, esta pessoa é uma nova criação [tem uma nova natureza]. As coisas velhas se passaram; eis que tudo se fez novo" (2 Co 5:17 simplificado).
5. Um Novo Coração
"Dar-lhes-ei um novo coração e colocarei um novo espírito dentro de vocês" (Ez 36:26 simplificado).
6. Uma Nova Mente
"E sejam renovados no espírito de suas mentes; revistam-se do novo homem [natureza] que é santo e reto como Deus... Pois temos a mente de Cristo" (Ef 4:23,24; l Co 2:16 simplificado).
7. Uma Nova Autoridade
"E Eu [Jesus] lhes dei autoridade sobre todo o poder do inimigo... Resistam ao diabo e ele fugirá de vocês" (Lc 10:19; Tg 4:7 simplificado).
8. Uma Nova Família
"A. todos os que O receberam, Jesus lhes deu o direito de se tornarem filhos de Deus" (Jo 1:12 simplificado).
9. Um Novo Destino
"Vocês são uma raça eleita, um sacerdócio real, uma nação santa o povo especial de Deus. Sim, Ele os chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz. Portanto, vocês devem declarar e demonstrar [mostrar e proclamar] o Seu louvor e glória agora e para sempre!" (1 Pe 2:9 simplificado).
Verdadeiramente, como cristãos, fomos redimidos e restaurados. Fomos comprados e restaurados à amada família real do Pai. O plano de Deus para os tempos não mudou. Através do Seu Filho Jesus, Ele perdoou os nossos pecados e nos restabeleceu numa posição de poder e autoridade.
A primeira família fracassou no cumprimento do seu chamado divino.
Devido à vitória de Cristo sobre Satanás na Cruz, a "nova família" de Deus será bem-sucedida. Esta é a nossa gloriosa esperança; este é o nosso destino divino como filhos e filhas do Deus Altíssimo!
D. UM PADRÃO COM TRÊS ASPECTOS
Ao revermos o "Fundamento da Igreja", podemos verificar um padrão com três aspectos:
1. Deus age; 2. Satanás reage, e então 3. Deus Se opõe.
A concretização da vontade de Deus começa com a Sua palavra, a qual é seguida por uma ação. A Sua palavra funciona! Ele fala e as coisas se concretizam! Com a Sua palavra segue-se o poder do Seu Espírito, e assim o Seu propósito divino é executado. Vemos isto na narrativa da Criação: "E disse Deus: Haja luz. E houve luz" (Gn 1:3). Ele falou e a Sua ordem se concretizou!
Aí então Satanás "reage" à palavra e à obra de Deus. Ele tenta estragar o propósito de Deus negando a Sua palavra e opondo-se à Sua obra. Ele se opõe à "ação" de Deus com a sua própria "reação". Se a história terminasse aqui, Satanás venceria esta guerra de palavras e obras. Os seus propósitos malignos prevaleceriam e a vontade de Deus não seria feita. Mas este não é o fim da história, pois em seguida Deus Se opõe.
Deus sempre tem a última palavra e a ação final. No final o mal será vencido pela Sua boa vontade e propósito. Isto, porém, leva tempo e é um processo. Deus escolheu falar e concretizar a Sua vontade através do Seu Filho e de Sua família.
Como já vimos anteriormente, encontramos o nosso lugar na família de Deus através do Seu Filho. Quando isto acontece, o poder do Espírito de Cristo fala e age através de nós. A família real de Deus em Cristo Jesus governará algum dia toda a Criação. Esta é a vontade de Deus desde o início de tudo e haverá de ser cumprida! Esta é a nossa esperança; este é o nosso destino!
E. DEFINIÇÃO DOS TERMOS
Este padrão com três aspectos que citamos acima encontra-se em forma de esboço a seguir. Definiremos cada um dos termos, a seguir.
DEUS SATAN DEUS
AGE REAGE SE OPÕE
Cria Arruina Redime
Planeja Destrói Restaura
Gera Degenera Regenera
Forma Deforma Reforma
Cobre Descobre Recupera
Concilia Aliena Reconcilia
1. Redenção
"Redimir" significa comprar e trazer de volta algo que havia se perdido ou havia sido usurpado por outrem. O propósito de Deus para o homem na Criação foi estragado ou arruinado quando o homem desobedeceu a palavra de Deus. Através do seu pecado, ele se submeteu ao controle do diabo e tornou-se seu escravo. O preço da redenção do homem foi a vida do Filho de Deus. Pelo sangue de Jesus fomos "redimidos" do poder do diabo.
2. Restauração
"Restaurar" significa restabelecer algo à sua posição ou condição original (inicial) depois de haver sido demolido ou desarraigado. O homem caiu da sua posição de governo e de reino, e perdeu a imagem e semelhança de Deus quando desobedeceu. O santo propósito de Deus para a humanidade foi destruído pelo diabo quando Adão e Eva pecaram. Através de Jesus, Deus providenciou uma maneira de restaurar o homem ao seu lugar legítimo de honra e autoridade.
3. Regeneração
"Regenerar" significa reviver algo que já morreu. Ao pecar, o homem perdeu a sua vida com Deus. Na Cruz, Cristo nos salvou do poder de Satanás, do pecado, e da morte. Quando recebemos a Cristo em nossas vidas, recebemos os benefícios da Sua morte e ressurreição. Ele morreu por nós para que pudéssemos ser vivificados n'Ele. Ele é a nossa vida agora e para sempre!
4. Reforma
"Reformar" significa restabelecer algo à sua forma ou aparência original após ter sido estragado, arruinado, ou danificado O homem foi criado segundo a bela imagem de Deus. O pecado estragou a beleza deste quadro, o qual nunca conseguiu desenvolver-se de acordo com o que Deus planejara.
No entanto, pelo poder do Espírito de Cristo em nossos corações, podemos uma vez mais crescer em Sua glória e graça. As falhas e defeitos do pecado foram removidos. A linda imagem de Jesus resplandece uma vez mais com uma beleza ainda maior e mais fulgurante.
5. Recuperação
"Recuperar" significa recobrar algo que havia se perdido. Fomos criados para estarmos sob ou "cobertos" pela luz, amor, e autoridade de Deus. Ao pecar, o homem saiu desta cobertura e mergulhou nas trevas. Ao fazer isto, ele se expôs à ira e ao julgamento de Deus contra o pecado.
Quando Jesus derramou o Seu sangue e morreu por nós, a penalidade pêlos nossos pecados foi paga. Ele morreu para que os nossos pecados pudessem ser cobertos pelo Seu sangue. Quando pela fé nos submetemos a Cristo como nosso Salvador, recuperamos a nossa cobertura de luz, amor, e autoridade de Deus.
6. Reconciliação
"Reconciliar" significa restabelecer alguém a um relacionamento de amizade. Deus criou o homem para ter comunhão com ele. Semelhantemente a Abraão, devemos ser "amigos" de Deus. O pecado quebrou esta amizade e tornamo-nos Seus inimigos. O antigo relacionamento de amor se perdeu. Deus ainda nos amava, porém escolhemos que não O amaríamos nem O obedeceríamos. Nós O expulsamos de nossas vidas.
"Conciliar" significa fazer um amigo. Quando Deus criou o homem, Ele o criou para ser Seu amigo. "Alienar-se" significa afastar-se de um amigo. A separação destrói a amizade. O pecado do homem separou-o da comunhão com Deus. Em Sua graça, Deus através da morte do Seu Filho nos reconciliou Consigo. A comunhão foi restaurada!
Sim, o Reino de Deus há de vir! A Sua vontade será feita assim na terra como no Céu. E virá e será feita através do próprio povo de Deus, o qual é um povo especial um povo que foi redimido, restaurado, regenerado, reformado, recuperado, e reconciliado. Esta é a Sua palavra. E Ele sempre tem a última palavra, a palavra final!
F. CONCEITOS IMPORTANTES SOBRE A SALVAÇÃO
O "Fundamento da Igreja" assenta-se firmemente sobre o nosso grande Salvador, Jesus! Há vários outros termos referentes à salvação que foram usados neste artigo. Devido à sua importância, seria bom citá-los e defini-los agora.
1. Salvação
Refere-se à obra da graça de Deus em Cristo pela qual somos:
a. Salvos "da" penalidade, poder, e futura presença do pecado.
b. Salvos "para" o propósito de Deus e estabelecidos em Sua família, onde expressamos a semelhança do Seu Filho.
Ao morrer na Cruz pêlos nossos pecados, Cristo tornou-Se o nosso Salvador. Ele morreu em nosso lugar e pagou o preço (penalidade) pelo nosso pecado. Quando o recebemos pela fé como nosso Salvador, recebemos também o poder da Sua vida ressurreta. À medida em que esta nova vida flui para o nosso interior, ela traz consigo uma integridade (cura) para o nosso espírito, alma, e corpo.
"Ser salvo" significa ser perdoado, curado, liberto, completado, e restaurado. Ficamos sãos, salvos, e libertos. Ficamos livres para nos tornarmos tudo quanto Deus nos chamou para sermos.
2. Regeneração
O termo "gerar" significa criar ou produzir vida. Regeneração, como já aprendemos, refere-se à volta ou restauração da vida após a morte.
Estamos "mortos" em nossos pecados. Assim sendo, precisamos receber uma "nova injeção" de vida espiritual (nascer de novo) para sermos reintegrados na família de Deus.
Há somente uma forma pela qual podemos nascer numa família da terra, ou seja, pela transmissão ou "injeção" de vida natural. Isto ocorre através do processo da reprodução biológica. Os embriões formam a vida que é necessária para se produzir um novo bebezinho menino ou menina.
O mesmo se aplica com relação ao "nascermos" na família de Deus. É preciso que haja uma "injeção" de vida espiritual uma semente divina. Esta "Semente de Vida" é uma Pessoa e esta Pessoa é Jesus. Quando recebemos a Cristo em nossos corações, Ele é a Vida que nos gera na santa família de Deus. Portanto, todos os cristãos têm dois nascimentos: um nascimento natural e um nascimento espiritual. E isto o que significa "nascer de novo".
3. Expiação
A palavra "expiar" significa "remir a culpa e re-harmonizar-se com alguém". Ela retrata o acordo e a paz resultantes da correção das transgressões.
O pecado é uma transgressão contra Deus. Portanto, ele nos separa ou nos "aliena" de Deus. Precisamos ser "reconciliados" ou reintegrados à comunhão com Ele.
A única maneira pela qual os resultados do pecado podem ser totalmente anulados é através da justificação (considerar o pecador como sendo reto). A justificação não é o ato (como supõem alguns) de se fazer vista grossa ao pecado ou de se ignorar cegamente as transgressões. Um Deus santo e justo não pode fazer vista grossa ao pecado.
O pecado somente poderá ser cancelado, coberto, ou posto de lado se a penalidade pelo pecado tiver sido paga. Somente assim a justiça poderá ser satisfeita e o pecado ser removido. Quando a penalidade pela transgressão for portanto totalmente paga, aí então é que a comunhão poderá ser restaurada.
A penalidade pelo pecado é a morte. Jesus, em Sua graça e misericórdia, pagou a penalidade em nosso lugar ao morrer na Cruz pelos nossos pecados. Desta maneira, podemos dizer que o Seu sangue cobriu e cancelou o nosso pecado ("Cancelar" significa tornar inteiramente sem efeito). A expiação é portanto uma obra de Deus através da morte de Cristo pela qual a nossa comunhão é restaurada. Entramos uma vez mais em harmonia com Deus.
4. Retidão
Refere-se ao santo caráter de Deus. Ele é sempre "reto" em pensamentos, palavras, e obras em Suas atitudes e em Suas ações. Ele é reto, bom, e veraz, sob todas as formas e em todas as coisas.
Este é o "reto" padrão da Lei. Tudo o que não é reto é iníquo, maligno, e errado em suma, é pecaminoso. Por esta razão, o homem pecaminoso nunca poderia estar diante de um Deus santo. A retidão e a iniqüidade são eternas inimigas. Não há nenhuma base para algo de comum entre elas.
Por este motivo, Deus enviou o Seu Filho para "expiar" os nossos pecados. Quando aceitamos a Cristo em nossos corações como nosso Salvador, os nossos pecados são cobertos e cancelados. Deus não mais nos vê em nossos pecados, e sim na retidão do Seu Filho. Ele não somente está em nós, mas nós também estamos n'Ele.
Isto se denomina retidão "atribuída". A palavra "atribuir" é um termo legal. Significa que algo foi depositado em nosso favor por uma outra pessoa. O que é dela agora também nos pertence. A sua posição e as suas posses tornam-se a nossa posição e as nossas posses. E uma conta conjunta. A retidão de Jesus torna-se a nossa retidão. A posição de Jesus à destra de Deus torna-se a nossa posição (Ef l :20-22; 2:4,5).
Além da retidão "atribuída", que é a nossa posição legal, há uma retidão "conferida". "Conferir" significa outorgar algo. Quando nos tornamos cristãos, algo é "outorgado" em nossas vidas. Não somente estamos "em Cristo" no sentido legal, mas também Cristo está "em nós" num sentido pessoal e prático.
Ao recebermos a Jesus, recebemos também a Sua natureza santa e reta. Temos uma nova natureza uma nova fonte de força interior pela qual podemos agora começar a viver uma vida "reta". A nossa "antiga natureza" morreu com Jesus na Cruz, o que nos dá o direito e a liberdade de expressarmos a nossa "nova natureza".
5. Justificação
"Justificar" significa acertar as coisas diante da lei, e, portanto, libertar da culpa e da condenação.
"Condenar" significa julgar alguém culpado diante da lei. O pecado é a quebra das leis de Deus. Portanto, todos os pecadores são culpados diante de Deus. A penalidade para o nosso pecado é a morte. As exigências da lei não podem ser satisfeitas sem que a penalidade pelo pecado seja paga. A "justiça" não pode fazer vista grossa ao pecado como se ele não tivesse acontecido.
No plano de redenção de Deus, a misericórdia e a justiça poderiam dar as mãos somente de uma maneira, que é a seguinte: o Juiz (Deus), não somente pronuncia a sentença, mas também paga, Ele Próprio, a penalidade (a morte de Cristo). O indivíduo culpado agora fica "justificado" diante da lei.
O pecador pode agora ser liberto porque o seu Juiz foi não somente justo (o que Lhe exigiu a aplicação da penalidade da lei), mas também cheio de misericórdia (uma vez que Ele pagou a penalidade que a Sua justiça exigia que Ele impusesse sobre o pecador).
Foi isto o que Deus fez por nós através da morte de Cristo na Cruz. O pecado foi julgado. A penalidade foi paga, e nós fomos perdoados e libertos! Fomos assim justificados!
A Nossa Grande Salvação
Introdução
"Como escaparemos se negligenciarmos a nossa grande salvação?" (Hb 2:3 simplificado).
Se você não estiver interessado em sua grande salvação, os profetas e anjos estão.
Os profetas do Antigo Testamento estavam muito interessados no grande plano de salvação de Deus. Ansiavam em conhecer os detalhes do plano de Deus, o qual seria restaurado através da morte, sepultamento, e ressurreição de Cristo – através da Sua vitória sobre o pecado, Satanás, e a sepultura.
Não foram somente os profetas, no entanto, que ansiavam em conhecer o que agora nos é revelado – os próprios anjos ansiavam fervorosamente em compreender e participar no grande plano que era somente para você!
Mas este plano não era para os profetas do Antigo Testamento – Deus não incluiu nele nem mesmo os anjos – Ele o reservou todinho para você!
Pedro expressa este pensamento com as seguintes palavras:
“Os profetas inquiriram cuidadosamente e tentaram aprender mais sobre esta grande salvação. O Espírito de Cristo estava nestes profetas, e Ele lhes falava sobre as coisas que Cristo sofreria – e a glória que se seguiria.
“Eles queriam saber o tempo e para quem seriam estas coisas. Aí então foi-lhes mostrado que a revelação não seria cumprida em seus dias. Estavam, no entanto, falando da graça que viria para nós.
“Sim, era para nós e para a nossa época. Recebemos as boas-novas da salvação através de pregadores que se moveram através deste mesmo Espírito Santo – enviado do Céu. Esta salvação é tão maravilhosa e grandiosa que os próprios anjos anelam em saber mais a respeito dela!” (1 Pe 1:10-12 simplificado).
Os profetas do Antigo Testamento teriam dado tudo para conhecer o que a Bíblia nos diz sobre este fantástico e tremendo plano que Deus tem para você!
Contudo, se não soubermos quais as grandes riquezas que temos em nossa salvação, esta falta de entendimento nos deixará num lugar de escravidão e pobreza espiritual.
Para que isto não acontecesse, o Pai nos enviou o Seu Próprio Espírito Santo para nos ensinar quem somos – e o que o Pai nos deu e planejou para nós – no Senhor Jesus.
O Apóstolo Paulo disse: “...recebemos o Espírito de Deus para que pudéssemos conhecer e compreender o que Ele nos deu gratuitamente” (l Co 2:12 simplificado).
Muitos cristãos estão orando e fervorosamente pedindo coisas que Deus já lhes deu. Fiz isto durante muitos anos. Quando você ora pelo que já foi dado, você desperdiça o seu tempo e o tempo de Deus.
O Espírito Santo lhe foi dado para que você saiba as coisas que Deus já lhe deu em nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.
Assim sendo, estudemos cuidadosamente o importante papel que a nossa salvação tem no grande plano de Deus de todas as eras! A. A CONDIÇÃO DE PECADO
O primeiro problema que “A Nossa Grande Salvação” precisa resolver é a questão do pecado. É o nosso pecado que nos separa da santa vontade de Deus e do Seu propósito para as nossas vidas.
Precisamos compreender porque somos pecadores e porque pecamos se quisermos compreender a grandeza da nossa salvação.
Isto originou então duas importantes questões:
Será que somos pecadores porque pecamos?
Ou será que pecamos porque somos pecadores?
Há séculos os teólogos e os estudiosos das Escrituras vêm debatendo estas questões.
A maioria das pessoas hesitam em responder porque elas próprias não têm certeza. Contudo, algo tão importante assim deveria ser claramente respondido na Bíblia.
1. O Pecado Entrou no Mundo Através de um Só Homem
A chave para compreendermos a relação entre o pecado e o pecador pode ser encontrada em Romanos, Capítulo 5.
Paulo está falando sobre a origem do pecado e como ele afeta a cada um de nós. Ouça as suas palavras:
“O pecado entrou no mundo (na raça humana) por um só homem – Adão. O resultado do pecado foi a morte. Portanto, a morte se espalhou a todos os homens porque (em Adão) todos pecaram” (Rm 5:12 simplificado).
A palavra “mundo” é a mesma palavra encontrada em João 3:16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira...” Ela vem da palavra grega “kosmos” e refere-se à raça humana. Paulo está dizendo que, como cabeça da raça humana, Adão contaminou toda a humanidade através do seu próprio pecado. O resultado desta incrível contaminação pelo pecado foi a morte – tanto espiritual quanto física.
Paulo explica esta verdade da seguinte forma. Entre a época de Adão e de Moisés, ninguém foi julgado como culpado por seus pecados, pois a lei ainda não havia sido dada. Contudo, morriam assim mesmo. A morte destas pessoas, portanto, não poderia ser devida diretamente aos seus pecados, uma vez que não havia nenhuma lei que decretasse este julgamento.
Assim sendo, concluiu Paulo, a razão da morte destas pessoas só pode ser devida ao pecado de Adão. Estávamos “em Adão” quando ele desobedeceu a Deus. Portanto, sofremos a penalidade deste pecado porque somos membros da raça adâmica.
Eis a história nas próprias palavras de Paulo:
“O pecado estava no mundo antes que a lei de Moisés fosse dada. No entanto, ninguém é condenado sem a lei. Apesar disto, os homens morreram nesta época, muito embora nenhum deles houvesse pecado da mesma forma que Adão pecou... O pecado de um só homem (Adão) fez com que a morte dominasse através dele a toda a humanidade... Pelo fato de um só homem ter desobedecido a Deus, muitos foram feitos pecadores...” (Rm 5:13,14,17,19 simplificado).
a. Uma Doença Assassina. Um exemplo ajudará a nossa compreensão. Há uma terrível doença incurável que está se espalhando rapidamente através da África e das nações ocidentais chamada AIDS. Os médicos a denominam “Acquired Immune Defïciency Syndrome” (Síndrome Adquirida de Deficiência de Imunização).
Como você sabe, os cortes e contusões que rompem a pele causam a infiltração de bactérias em seu sangue e carne que podem originar terríveis infecções e enfermidades.
Geralmente, o seu corpo consegue resistir às enfermidades e infecções que entram em seu corpo como consequência das bactérias. Isto se deve ao fato de você possuir um sistema de imunização.
No entanto, se você tiver AIDS, o sistema de imunização do seu corpo não funcionará mais – e numa questão de meses, terríveis furúnculos, feridas, e infecções penetrarão em todas as partes do seu corpo, e, dentro de um ou dois anos, você morrerá.
Mas qual é a pior coisa com relação à AIDS? Se os seus pais a tiverem, você será contaminado no útero da sua mãe. Você nascerá com ela – e devido a isto você morrerá também, num curto período de tempo.
O pecado é semelhante a isto! O primeiro homem a viver – o nosso ancestral Adão – pecou. O seu pecado contaminou não somente a si próprio mas também todos os seus descendentes. Você e eu nascemos contaminados pelo pecado – e morreremos, física e espiritualmente, se alguém não nos salvar milagrosamente.
2. Em Adão Todos Pecam e Todos Morrem
A verdade é bem clara, todos nascemos pecadores devido ao pecado de Adão. Independentemente de qualquer ato pecaminoso da nossa parte, somos herdeiros do pecado de Adão – e da sua natureza pecaminosa.
Até mesmo se nunca tivéssemos pecado – nem mesmo uma só vez – ainda assim seríamos pecadores. Pela ofensa de um só homem, o julgamento veio sobre todos. “A morte veio através de um só homem... Porque em Adão todos morrem...” (1 Co 15:21,22 simplificado).
Em Adão todos pecamos, e em Adão todos morremos. Este conceito ou idéia de estarmos em Adão é um conceito importante, que precisamos compreender.
Como veremos nos capítulos posteriores, este mesmo raciocínio se aplica ao nosso relacionamento de estarmos “em Cristo”, e esta será uma das verdades pelas quais poderemos compreender muito melhor a nossa grande salvação.
a. Um Exemplo da Natureza. Este conceito de estarmos “num outro” também pode ser visto num exemplo da natureza. Ao tentarmos produzir uma melhor variedade de arroz, os cientistas da agricultura expõem as sementes de arroz a raios de alta energia. Esta radiação é capaz de transformar a constituição genética da semente.
Através desta radiação de alta energia, a natureza da semente de arroz é transformada. A maneira pela qual ela cresce e sobrevive é alterada.
A maioria das transformações nos genes (ou material hereditário) por radiação são maléficas, mas às vezes, as transformações produzem melhorias. As mudanças provenientes das radiações somente podem ser conhecidas plantando-se a semente – e observando-se como é a colheita que ela produz.
Uma semente de arroz produz um talo com muitas sementes. Cada uma destas novas sementes da planta apresenta estas transformações genéticas – quer sejam melhores ou piores. O mesmo acontece também com todas as gerações subsequentes destes grãos de arroz.
À medida em que as sementes são plantadas vez após vez, é possível que surja em alguns anos uma grande colheita de arroz. Cada planta terá as mesmas características e a mesma qualidade que as que foram “fixadas” naquela primeira semente irradiada.
Se as transformações genéticas foram de melhorias, de onde veio então esta grande colheita de arroz com qualidade superior? Daquela primeira semente! Muitos alqueires deste arroz melhorado estavam todos “naquela única semente”.
A mesma coisa acontece se a transformação genética foi para o pior. Naquela única semente ruim encontram-se muitos alqueires de arroz de qualidade inferior. Os resultados da radiação serão transmitidos a todas as gerações subsequentes.
Nenhuma radiação adicional é necessária para se transmitir os resultados prejudiciais que foram produzidos na primeira semente. A natureza do arroz foi transformada para todas as gerações futuras!
b. Nos Lombos de Adão. Agora podemos compreender melhor o que Paulo quis dizer ao afirmar que “em Adão” todos pecamos. Quando Adão pecou, estávamos nos lombos (corpo) de Adão. A semente de humanidade de onde você e eu viemos estava em Adão desde o início. O que aconteceu então a você e a mim quando Adão pecou?
Tornamo-nos pecadores! “Pela ofensa de um só homem, o julgamento veio sobre todos” (Rm 5:18).
Davi tinha plena consciência desta verdade. Ele afirmou claramente este conceito num dos seus Salmos: “Certamente eu era pecaminoso quando do meu nascimento; pecaminoso desde o tempo em que minha mãe me concebeu” (Sl 51:5).
Davi estava confessando que havia nascido pecador. Ele havia sido feito pecador (como todo outro ser humano) em Adão. Ele sabia que precisava de um coração puro e de um novo espírito, não somente por causa dos seus pecados, mas também por causa da sua natureza pecaminosa inata.
Sim, nascemos pecadores porque estávamos em Adão. Pecamos porque temos uma natureza pecaminosa. Isto se torna evidente muito cedo em nossas vidas.
Nós que somos pais já vimos isto em nossos próprios filhos. Não foi necessário que os ensinássemos a pecar. Eles simplesmente aprenderam naturalmente de seus pais. Aprenderam rapidamente como satisfazer suas próprias vontades e maneiras de ser.
Sempre que as suas vontades não eram satisfeitas, suas pequeninas naturezas pecaminosas ficavam cada vez mais ruidosas e fortes. Aquele traço de pecado parecia crescer mais rapidamente do que eles próprios.
Qual era a razão para isto? Porque todos puxamos ao nosso ancestral Adão. “Quando ele pecou, muitos foram feitos pecadores” (Rm 5:19).
Todos estávamos em Adão desde o início. 3. Pecadores de Nascença
É verdade também que você é pecador porque peca. Sim, todos nascemos pecadores. No entanto, validamos isto pêlos nossos muitos e repetitivos atos pecaminosos. Paulo nos diz bem claramente que não há “nenhum justo, nenhum sequer... Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3:10,23).
Portanto, se nos perguntassem: “Pecamos porque somos pecadores?” teríamos que responder “Sim”. Se também nos perguntassem: “Somos pecadores porque pecamos?”, teríamos que responder “Sim” novamente. Ambas as respostas são corretas. Não são duas afirmações do tipo “ou esta ou aquela”. Nascemos pecadores, e todos provamos este fato pêlos nossos muitos pecados. Portanto, fomos julgados como pecadores de acordo com estes dois históricos – de acordo com o nosso ancestral pecaminoso (Adão) e de acordo com as nossas ações pecaminosas. São os dois lados da mesma moeda.
Sim, todos somos pecadores de nascença. No entanto, muitas pessoas religiosas ainda não enxergam a necessidade de serem salvas. Não se consideram pecadoras.
Vivem uma vida boa e honesta. Frequentam uma igreja ou vão a um templo pagão regularmente e o sustentam com suas finanças. Pagam suas contas, não bebem, e não falam palavrões. Tentam guardar os Dez Mandamentos, e crêem que irão para o Céu – através de suas próprias obras de retidão.
Este é um erro trágico, pois estão errados, tremendamente errados! Todos somos pecadores – duas vezes – por nascimento e por nossas obras. É um fato da história, e um fato da vida. Não há nada em nós mesmos que possamos fazer a respeito. Nenhuma quantidade de boas obras transformará a nossa natureza pecaminosa, nem cancelará a penalidade pêlos nossos pecados.
As Escrituras dizem que, na melhor das hipóteses, “as nossas justiças (retidão) são como trapo de imundícia” (Is 64:6 simplificado). Não podemos ter a esperança de cobrirmos os nossos pecados através de nossas “boas obras”.
À luz resplandecente da santidade de Deus, podemos somente ser vistos como pecadores, como de fato somos. A nossa esperança nunca pode estar ancorada em nossa bondade – somente na graça de Deus. Precisamos compreender que estamos com uma doença fatal devido ao pecado de Adão e aos nossos próprios pecados antes de podermos receber a Sua cura! B. A PENALIDADE PELO PECADO
Já vimos que a condição de pecado é “universal”. Com isto queremos dizer que “todas as pessoas, em toda parte” são pecadoras. Além disso, a penalidade pelo pecado é universal. Todos estão condenados a morrer devido a seus pecados. “Todos pecaram... e o salário (penalidade) do pecado é a morte” (Rm 3:23; 6:23 simplificado). 1. Na Lista da Morte
A Bíblia descreve todos os seres humanos como estando na “lista dos condenados à morte” – sob sentença de morte. Independentemente da graça de Deus, ninguém é isentado. Todos enfrentamos o mesmo destino sombrio – a morte!
Desde o início, a sentença pelo pecado tem sido a mesma. Deus, veemente e claramente, admoestou a Adão e Eva que a desobediência significava a morte.
“Não podeis comer da árvore... pois quando dela comerdes, certamente morrereis” (Gn 2:17).
O profeta Ezequiel confirma a penalidade de morte pelo pecado nas seguintes palavras, simples, porém muito fortes: “A alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18:4,20 simplificado).
Nada poderia ser mais certo. O salário, ou resultado, do pecado é a morte. Pela nossa natureza e por nossas ações somos pecadores. Escolhemos seguir o nosso próprio caminho, ao invés de seguirmos o caminho de Deus. “Todos nós andamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho...” (Is 53:6).
Quais são os resultados de termos tudo de acordo com as nossas próprias vontades e de seguirmos os nossos próprios caminhos? “Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte” (Pv 14:12).
O caminho do homem é uma rua sem saída! Não podia na verdade ser diferente, pois Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por Mim” (Jo 14:6).
A vontade e o caminho do Pai para a vida centralizam-se em Seu Filho. Qualquer outro caminho leva à morte. Quando escolhemos desobedecer a Deus e seguir o nosso próprio caminho, isto nos leva somente numa direção: para baixo, em direção à destruição.
Uma definição do pecado é a seguinte: a oposição à vontade e o caminho de Deus com a nossa própria vontade e caminho. Por sua própria natureza, a desobediência pode somente nos levar à morte. É por isto que todos os pecadores estão condenados à morte. Todos escolhemos voluntariamente a estrada errada.
Começou “em Adão” quando ele escolheu desobedecer a Deus. Não somente fomos vítimas desta escolha, mas também nutrimos esta escolha com nossos próprios atos de desobediência. Independentemente de Deus e da Sua graça, estamos neste mundo sem esperança. A morte é o nosso destino! C. A PROVISÃO DE DEUS PARA O PECADOR
Todo pecador neste mundo não tem a Deus e não tem nenhuma esperança. É de fato uma escura noite de desespero. Contra este negro pano de fundo, no entanto, brilha a resplandecente luz do amor de Deus. A Bíblia nos diz que “onde há muito pecado, há muito mais ainda da graça de Deus” (Rm 5:20 simplificado).
Podemos ser realmente agradecidos por haver uma segunda parte no versículo que declara: “ ...o salário do pecado é a morte...” Ela continua para nos trazer uma mensagem de esperança e amor: “ ...mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor’’ (Rm 6:23). 1. A Vida Eterna: A Dádiva do Amor de Deus
Somos informados sobre esta grande dádiva do amor de Deus numa passagem muito familiar do Evangelho de João:
“Porque Deus amou o mundo (de pecadores) de tal maneira que deu o Seu Filho Unigênito, para que todo aquele que n’Ele crê não pereça (morra), mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16).
a. Definição de Uma Dádiva.A definição legal de uma dádiva envolve três partes necessárias. Estes elementos são os seguintes:
1) Uma oferta;
2) Uma aceitação;
3) Sem pagamentos.
Uma dádiva é algo que foi oferecido gratuitamente e que foi aceito sem nenhum pensamento de pagamento.
b. Deus fez a Sua oferta. Deus fez a Sua oferta quando Ele deu o Seu Filho. No entanto, a Sua oferta não é legalmente uma dádiva até que seja aceita.
Vocês se lembram que “Jesus veio aos que eram Seus, mas os Seus não O receberam” (Jo 1:11). Pelo fato de os judeus que viviam na época de Jesus não O terem aceitado, não receberam os benefícios e bênçãos da oferta de Deus. ‘‘Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o direito de serem feitos filhos de Deus...” (Jo 1:12).
c. Salvação: Uma Dádiva Oferecida Gratuitamente. Uma dádiva é algo que é oferecido gratuitamente. Nenhum pagamento pode estar envolvido, ou a “dádiva” torna-se uma “aquisição”, algo que foi comprado.
O dom da salvação de Deus foi dado gratuitamente. Ele não nos oferece algo que temos de comprar – Ele nos oferece uma dádiva.
“Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Porém, qualquer pessoa pode ser justificada ou reconciliada com Deus através do dom gratuito da Sua graça... através de Jesus Cristo” (Rm 3:23,24 Simplificado).
Algumas pessoas não compreendem totalmente que o dom da salvação de Deus foi dado gratuitamente. Tentam, portanto, transformar o dom numa aquisição, tentando receber a graça de Deus, pelo seu próprio merecimento.
No sudeste asiático, há um grupo de pessoas que têm se esforçado de uma maneira extremamente trágica. São chamados de “flagelistas”. Na Sexta-Feira da Paixão (antes da Páscoa), dão chicotadas em suas costas até ficarem ensangüentadas. Alguns chegam a ponto de introduzirem pregos em suas mãos numa cruz.
Por que as pessoas fazem estas coisas terríveis um nome do cristianismo? É porque não compreendem que a sua salvação é uma dádiva. A vida eterna é uma dádiva de Deus.
Não há nada que possamos fazer para merecermos ou adquirirmos a graça de Deus. Somos salvos pela graça, e não pelas “obras”. Caso contrário, poderíamos nos gabar de nossos esforços (Ef 2:8,9).
A nossa salvação foi “totalmente paga” no Calvário. Quando Jesus estava morrendo naquela Cruz, Ele disse: “Está consumado” (Jo 19:30).
A nossa fé, portanto, fundamenta-se totalmente na obra consumada de Cristo na Cruz.
É verdade que estas pessoas do sudeste asiático são sinceras. Conversei com várias delas. No entanto, são ignorantes. Não sabem, nem compreendem a grandeza da salvação de Deus.
Estão buscando a salvação, porém estão fazendo as coisas à sua própria maneira. São de fato muito zelosas, mas o zelo e a sinceridade não nos salvam. Podemos ser sinceros e estarmos enganados ao mesmo tempo – terrivelmente enganados.
Paulo cita este zelo religioso em sua carta aos romanos:
‘‘Conheço o zelo que eles têm por Deus, porém isto não se baseia no conhecimento. Eram ignorantes e não conheciam a justiça que vem de Deus. Tentaram justificar-se diante de Deus da sua própria maneira. Não quiseram aceitar a maneira de Deus de serem justificados, crendo em Cristo” (Rm 10:2-4 simplificado).
O que podemos concluir? Será que estas pessoas são sinceras? Sim. Zelosas? Sim. Enganadas? Sim. Perdidas? Sim – através da ignorância!
Não há nenhuma maneira pela qual possamos ser justificados diante de Deus através dos nossos próprios esforços ou obras. Este não é o caminho de Deus para a vida eterna.
A salvação é uma dádiva, e não uma aquisição. Não pode ser comprada por nenhuma coisa que possamos fazer. A obra da salvação já foi feita por Cristo na Cruz. A nossa parte é recebermos o presente que nos foi tão graciosamente dado. Não há nenhuma outra maneira.
Muitas pessoas já aceitaram a Cristo como seu Salvador e têm a vida eterna. Existem alguns, no entanto, que acham que de alguma maneira precisam acrescentar algo à obra consumada de Cristo na Cruz. Talvez não cheguem a agredir seus corpos fisicamente, mas muitas vezes torturam-se de outras maneiras.
Trabalham arduamente para ganharem a aprovação de Deus, porém nunca se sentem totalmente aceitos. Estão sempre se esforçando para atingirem objetivos mais elevados, mas fracassam sempre. Aí então, dão duras chicotadas em si próprios, com sentimentos de culpa e condenação. Sinceros? Sim. Zelosos? Sim. Enganados? Sim. Perdidos? Bem... não perderam a sua salvação, e sim a alegria da sua salvação – através da ignorância!
d. A Dádiva Precisa Ser Aceita. Billy Graham, certa vez, chocou a muitas pessoas, dizendo: “Um dos grandes mistérios da redenção é o seguinte: muitos homens maus vão para o Céu, e muitos homens bons vão para o inferno!”
Por que os homens maus vão para o Céu? Porque aceitaram a dádiva de Deus da vida eterna.
1) O Ladrão na Cruz. Vocês se lembram daquele ladrão crucificado ao lado de Jesus, não é? Pouco antes de morrer, ele disse: “Lembra-Te de mim, quando entrares no Teu reino!” (Lc 23:42).
Esta simples oração estava imbuída de fé. Ela continha todos os elementos da fé salvadora. Quais são eles?
a) Ele acreditou que Jesus era o Rei (Senhor)
b) Ele acreditou que o Rei teria um Reino
c) Ele pediu para ser incluso neste Reino
Jesus respondeu: “Hoje estarás Comigo no Paraíso” (Lc 23:43). Jesus aceitou o ladrão porque ele O aceitou como Senhor e Rei.
Por que muitos homens bons vão para o inferno? Porque recusaram a dádiva de Deus e confiaram em suas próprias “boas obras”.
Jesus expressou esta mesma verdade aos fariseus (que eram muito religiosos, porém muito perdidos) da seguinte maneira: “Em verdade vos digo que os coletores de impostos e as meretrizes entram adiante de vós no Reino de Deus” (Mt 21:31).
Por que estes pecadores entravam no Reino, e os fariseus eram deixados de fora? Os fariseus eram homens muito religiosos – freqüentavam o Templo, oravam, pagavam os dízimos, tinham os seus dias de jejum e de festas, e guardavam o Sábado.
Por que os fariseus iriam para o inferno, e as meretrizes iriam para o Céu? Porque as meretrizes recebiam a dádiva de Deus, e os fariseus não queriam recebê-la. Ao invés, tentavam assegurar a sua salvação através de suas próprias obras de retidão. O Caminho Divino para a vida eterna estava bem diante deles, mas escolheram seguir o seu próprio caminho.
A pequena frase “submeter-se à retidão de Deus” encontra-se em algumas versões de Romanos 10:3. Refere-se à aceitação da dádiva de Deus da salvação em Cristo Jesus.
Para muitos de nós, é difícil “submetermo-nos” a qualquer coisa. Algo dentro de nós rebela-se contra qualquer tipo de autoridade – até mesmo a de um Deus sábio e amoroso.
Ralph Mahoney (fundador do World MAP – o ministério que fornece O Cajado do Pastor) recorda-se dos tratamentos de Deus em sua própria vida, quando ele era um adolescente orgulhoso:
“Fico impressionado por poder ter sido tão cheio do próprio orgulho e auto-retidão. A coisa mais difícil para mim foi submeter-me à dádiva da retidão de Deus. Acho que eu queria salvar a mim mesmo e depois gabar-me diante de Deus de como eu o havia feito!
“O que existe no coração humano que nos torna tão orgulhosos e teimosos? Preferimos morrer – tentando fazer as coisas da nossa própria maneira – do que recebermos de Deus o dom gratuito da retidão. Teria sido mais fácil para mim atravessar os Estados Unidos de joelhos do que andar 10 metros em direção a um altar e humildemente ajoelhar-me para orar em atitude de arrependimento.
“Fico muito contente de que o meu Pai Celestial tenha sido paciente comigo durante esses primeiros anos da minha vida. Finalmente cheguei ao fim da minha estrada e busquei a Sua saída. Finalmente, submeti a minha vida à Sua vontade, e recebi a Sua dádiva da vida eterna. Jamais me arrependi de ter feito esta escolha... nenhuma vez sequer!”
D. O CORAÇÃO PATERNAL DE DEUS
Há uma linda história no Antigo Testamento que ilustra claramente o coração paternal de Deus, repleto de amor.
Nesta história, Deus revela-Se não somente como um Pai-Criador, mas também como um Pai-Redentor.
O profeta Isaías viu esta revelação dupla do caráter de Deus. ‘‘Mas agora, assim diz o Senhor que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque Eu te redimi: Chamei-te pelo teu nome, tu és Meu” (Is 43:1).
O Deus que cria também redime. Comprar o homem e restaurá-lo ao propósito da família de Deus custou ao Pai a vida do Seu Único Filho. A Sua vida foi dada – como um Cordeiro Sacrificai – para nos redimir.
1. Abraão e Isaque: Um Quadro Profético do Amor Redentor
“E aconteceu depois destas coisas, que tentou Deus a Abraão, e disse-lhe: Abraão! E ele disse: Eis-me aqui. E disse Deus: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que Eu te direi.
“Então se levantou Abraão pela manhã de madrugada e albardou o seu jumento, e tomou consigo dois de seus moços e Isaque, seu filho; e fendeu a lenha para o holocausto, e levantou-se, e foi ao lugar que Deus lhe dissera.
“Ao terceiro dia levantou Abraão os seus olhos, e viu o lugar de longe. E disse Abraão a seus moços: Ficai-vos aqui com o jumento, e eu e o moço iremos até ali; e havendo adorado, tornaremos a vós. E tomou Abraão a lenha do holocausto, e pô-la sobre Isaque, seu filho; e ele tomou o fogo e o cutelo na sua mão, e foram ambos juntos.
“Então falou Isaque a Abraão seu pai e disse: Meu pai! E ele disse: Eis-me aqui meu filho! E ele disse: Eis aqui o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?” (Gn 22:1-7).
Neste ponto da história, talvez pudéssemos perguntar o motivo pelo qual Deus pediria que um homem matasse o seu único filho. Isaque, que significa “riso”, foi um “bebê-milagre” quando do seu nascimento. Tanto Abraão quanto Sara estavam bem além da idade de ter filhos.
Contudo, Deus havia prometido um filho a Abraão, e Ele havia mantido a Sua palavra. Abraão havia esperado 25 anos por aquela promessa e ficou extremamente alegre quando Isaque nasceu. Agora, após aproximadamente 20 anos, Deus diz a Abraão para matar o seu único filho. Será que Deus realmente faria uma coisa dessas? E, em caso afirmativo, por que?
Há um propósito divino para esta história estar na Bíblia. O seu propósito é revelar-nos uma importante verdade. Esta história deveria ser um quadro profético do plano de Deus para a redenção. Ele quer que compreendamos claramente as funções que o Pai e o Filho precisam assumir na obtenção da nossa salvação.
a. Isaque – O Filho Obediente. Sabemos que Isaque, como filho obediente, é um protótipo do Senhor Jesus. A madeira para o holocausto foi colocada sobre os ombros de Isaque enquanto subiam a montanha. Dois mil anos mais tarde, o Único Filho de Deus carregaria uma Cruz de madeira sobre os Seus ombros, enquanto uma outra montanha era galgada: o Monte do Calvário!
Às vezes, subestimamos o fato de que Abraão é um protótipo de Deus-Pai. Ficamos maravilhados ao imaginarmos a dor que deve ter estado em seu coração enquanto carregava em suas mãos o cutelo e o fogo.
Deus havia prometido a Abraão que através de Isaque viria uma família tão grande em número quanto as estrelas do céu. Como poderia ser cumprida esta promessa se Isaque tivesse que morrer, e a menos que houvesse a esperança de uma ressurreição? (Hb 11:17-19).
b. E Caminharam Ambos Juntos.Há um toque de muita ternura em nossa história quando lemos que “caminharam ambos juntos”. Lado a lado, andando em silêncio – um pai amoroso com o seu filho e um filho amoroso com seu pai.
O pai Abraão move-se com os firmes passos da fé e da obediência, mas há uma grande dor em seu coração, a qual é somente aliviada pela esperança que ele tem na promessa de Deus.
Finalmente, o silêncio é quebrado por uma pergunta dos lábios de Isaque: “Onde Está o Cordeiro?”
Escondido na resposta encontra-se um lindo quadro profético do grande amor redentor de Deus.
“E disse Abraão: Deus proverá para Si o cordeiro para o holocausto, meu filho. Assim caminharam ambos juntos” (Gn 22:8).
A palavra “juntos” aparece pela segunda vez na narrativa e encontra-se repleta de um tremendo significado. Ela retrata o amor que um tinha pelo outro; retrata também a fé e a obediência deles para com Deus.
Abraão deve ter contado a Isaque sobre a vontade de Deus para a sua morte – e da promessa de Deus para a sua vida. Ambos estavam dispostos a se submeterem à Palavra do Senhor. Isaque era um jovem forte e poderia ter reagido facilmente contra seu idoso pai.
Que tremenda revelação profética do amor de Deus! Um pai disposto a sacrificar o seu filho amado, e um filho disposto a submeter-se a este sacrifício. A única coisa que podemos fazer é ficarmos observando – em atônito silêncio!
Conhecemos o final da nossa história, é claro. No último momento, Deus proveu de fato um sacrifício, na forma de um carneiro que estava preso num arbusto das redondezas. A vida de Isaque foi poupada, e Deus renovou a Sua promessa a Abraão. Através de Isaque viria um povo destinado a abençoar todas as nações da terra.
2. A Mesma História: Dois Mil Anos Mais Tarde
Dois mil anos mais tarde, vemos o desenrolar da mesma história. A única diferença é que desta vez não há nenhum resgate de último minuto d’Aquele que entrega a Sua vida como sacrifício.
a. Jesus – o Filho Amado. Estamos falando do Filho de Deus, o Qual entregou a Si Mesmo como “Cordeiro de Deus”. Abraão e Isaque formam um lindo protótipo do relacionamento Pai-Filho dentro da Trindade.
A primeira vez que uma palavra ou conceito importante aparece nas Escrituras estabelece um padrão para os seus usos subseqüentes. Assim sendo, o cenário em que esta palavra se encontra pressupõe um significado muito especial.
Com isto em mente, é interessante descobrirmos que a palavra “amor” aparece primeiramente com referência ao amor de um pai por um filho. Mais especificamente, foi o amor de Abraão por Isaque. “Toma... teu filho, Isaque, a quem amas...” (Gn 22:2.)
A palavra “amor” no Novo Testamento aparece pela primeira vez nos Evangelhos Sinóticos nesta notável frase: “Tu és Meu amado Filho, em Quem Me comprazo!” (Mt 3:17; Mc l: 11; Lc 3:22). Se Abraão amava o seu único filho, como é tremendamente maior o amor de Deus pelo Seu único Filho!
O Evangelho de João é o Evangelho do amor de Deus. Qual é a primeira referência ao grande amor de Deus neste livro especial? Quando descobrimos qual é, ficamos comovidos, grandemente maravilhados, e humildemente atônitos:
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho Unigênito, para que todo aquele que n’Ele crê não morra, mas tenha a vida eterna!” (Jo 3:16 simplificado).
b. Eles “Caminharam Juntos”. Sim, o Pai sempre amou o Seu Filho. Desde toda a eternidade passada, Ele O amou (Jo 17:24). De fato, Eles Se amavam tremendamente. No entanto, somos incluídos neste amor também. Jesus nos diz que o Pai nos ama assim como Ele ama ao Seu Próprio Filho (Jo 17:23).
Foi antes da fundação do mundo que o Cordeiro de Deus foi morto. É quase além da nossa compreensão, mas o Pai e o Filho planejaram, em amor, a nossa redenção, antes mesmo que o mundo fosse criado. “Caminharam juntos” neste amor – por você e por mim.
Mais do que isto ainda, Eles “executaram este plano juntos” na Cruz.
Muitos de nós pensamos erradamente que o Pai estivesse estranhamente afastado do Seu Próprio Filho durante aquela horrível hora em que Ele foi “abandonado”. É verdade que um Deus Santo não pode contemplar o pecado – e que Cristo tomou sobre Si Mesmo o nosso pecado lá naquela Cruz.
“O Pai fez com que o Seu Próprio Filho – o Qual não conheceu nenhum pecado – Se tornasse pecado por nós, para que n’Ele, pudéssemos ser justificados diante de Deus” (2 Co 5:21 simplificado).
Isto, porém, não significa que o Pai sentiu menos dor que o Filho, em Sua agonia na Cruz.
Quando o santo, puro, e imaculado Filho de Deus tomou sobre Si Mesmo o nosso pecado, algo terrível aconteceu. Pela primeira vez em toda a eternidade passada, a Sua comunhão com o Pai foi quebrada!
O pecado separa. A morte espiritual é uma separação de Deus. Como Filho do Homem, Ele pagou por completo a penalidade pelo nosso pecado – sozinho sobre uma Cruz.
O Pai, no entanto, também sentiu a dor desta penalidade por completo. Quando a comunhão é quebrada, ambas as partes compartilham desta tremenda dor. Ambos caminharam juntos por esta dolorosa estrada – até o final.
Paulo está alcançando o clímax do significado desta terrível, porém maravilhosa verdade nas seguintes palavras à Igreja de Corinto:
“Deus-Pai estava pessoalmente presente em Cristo, reconciliando Consigo o mundo, para não mais imputar os pecados dos homens” (2 Co 5:19 simplificado).
Esta é uma parte do mistério da Santíssima Trindade. Jesus disse: “Eu estou no Pai e o Pai está em Mim” (Jo 14:10,11).
Quando Jesus nasceu da virgem, lemos em Mateus 1:23 que O chamariam de “Emanuel”, que significa “Deus conosco”. João Batista, ao ver a Jesus, declarou: “Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1:29).
c. “Eu Morrerei no Lugar Deles”. Lembramo-nos que Abraão disse a Isaque: “Meu filho, Deus proverá para Si um cordeiro para o holocausto” (Gn 22:8).
Estas palavras proféticas apresentam um lindo quadro do amor pessoal de Deus por nós. Deus proverá a Sua Própria Pessoa como cordeiro sacrificial pelo nosso pecado. Ele tomou sobre Si Próprio a responsabilidade pela nossa salvação.
Um Deus santo e justo declarou: “A alma que pecar, esta morrerá’’ (Ez 18:4). E com isto, o Juiz de toda a terra condenou à morte toda a raça humana. Era a única coisa que a justiça poderia fazer.
Contudo, o poderoso Criador do Universo e Juiz de toda a humanidade é também um Pai-Redentor. Ele olha com amor e misericórdia o mundo pecaminoso e toma uma decisão incrivelmente maravilhosa, e contudo terrível: “Morrerei no lugar deles. Pagarei a penalidade que a justiça exige – para que possam viver. Eu os amo tanto assim!”
E foi isto o que Deus fez. Ele estava em Cristo Jesus reconciliando o mundo Consigo. Em Seu Filho, Ele reuniu toda a raça humana, e morreu numa cruz. Agora, esta passagem da carta de Paulo aos romanos torna-se viva e com muito mais significado:
“Através do pecado e um homem [Adão], a penalidade da morte veio sobre todos os homens. Da mesma maneira, através do ato de justiça de um só Homem [Cristo], o dom gratuito da vida veio para todos os homens, os quais foram n’Ele justificados diante de Deus.
“Pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores. Porém, pela obediência de um só Homem, muitos serão justificados... O pecado reinou outrora através da morte. Agora, a graça reina, justificando-nos em Jesus Cristo nosso Senhor. Portanto, haveremos de viver para sempre” (Rm 5:18,19,21 simplificado).
Todo o louvor seja para o nosso Deus pelo Seu amor, graça, e misericórdia em Cristo Jesus! E. HOJE É O DIA DA SALVAÇÃO
É óbvio que isto não significa que todos os homens sejam salvos sem se achegarem pessoalmente a Cristo para receberem o Seu dom da salvação. Lembramo-nos que uma dádiva não é uma dádiva até que seja aceita.
Lemos em Romanos 5:17 que precisamos “receber” pessoalmente o dom gratuito de Deus de vida em Cristo Jesus. Se não for recebido, Ele não nos traz nenhum benefício. A oferta já foi feita, mas precisa ser aceita. Somente os que recebem ao Senhor Jesus como seu Salvador, desfrutarão da vida eterna.
“Ouçam por favor! Agora é o tempo certo. Eis que hoje é o dia da salvação” (2 Co 6:2 simplificado). Deus o está chamando hoje para você fazer somente uma coisa: receber o Seu Filho como seu Salvador. Nada mais é realmente importante.
Charles Wesley escreveu o lindo hino: “Nada trago em minhas mãos, somente a Tua Cruz abraço.” E ele disse tudo.
Andrew Murray falou da seguinte maneira: “Todos os seres humanos deveriam colocar todos os seus pecados numa pilha, e todas as suas obras numa outra pilha. Aí então, deveriam fugir de ambas as pilhas em direção a Jesus!”
“Sim, o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna através de Jesus Cristo nosso Senhor... Ele veio aos Seus, mas os Seus não O receberam. Contudo, a todos quantos O receberam — e creram no Seu Nome — a estes deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus” (Rm 6:23; Jo 1:11,12). Aleluia, que grande Salvador! E que GRANDE SALVAÇÃO temos N’Ele! 1. Uma Oração de Salvação
“Querido Senhor Jesus, eu Te recebo como meu Senhor e Salvador. Abro a porta do meu coração a Ti e peco-Te que entres e vivas em mim. Creio no meu coração que Deus Te ressuscitou dos mortos. Perdoa-me pêlos meus pecados pois arrependo-me verdadeiramente. Através da Tua ajuda e do Teu Espírito, buscarei viver uma vida que seja agradável a Ti. AMÉM.”
“Se você crer no seu coração que Deus ressuscitou a Jesus, dentre os mortos, e se você disser com a sua boca que Jesus é o Senhor, então você será salvo” (Rm 10:9 simplificado).
Agora diga a alguém: “Acabei de receber a Jesus como meu Senhor e Salvador!”
O Caráter do Líder: Fruto Espiritual
Introdução
Como é de fato o caráter de Cristo? Qual é a natureza da Sua vida? Gostaríamos de responder estas perguntas neste capítulo.
A "pessoa" de Cristo está, agora, à destra do Pai no Éden. Mas pelo Espírito D'Ele, a Sua "presença" pode estar dentro de você e dentro de mim; e dentro de cada crente por todo o mundo.
"Vós porém não estais na carne [antiga natureza pecaminosa.] O espírito de Deus habita em vós" (Rm 8:9).
O bebê recebe dos seus pais a natureza e o caráter da família. Esta natureza se desenvolve à medida em que a criança continua a crescer. Muitas características físicas logo aparecem: os olhos, a pele, e a cor do cabelo. A estrutura óssea e a altura levam mais tempo para se desenvolverem, mas a "imagem" da família é prontamente vista. Dizemos às vezes que "a criança é de fato a cara dos seus pais".
O mesmo se aplica à família de Deus. Ao nascermos na família de Deus recebemos a vida de Cristo e a Sua natureza. Nós também devemos desenvolver-nos à semelhança da Sua imagem. A natureza e o caráter da Sua vida devem crescer em nós à medida em que crescemos n'Ele. Este é o nosso destino divino tornarmo-nos semelhantes a Jesus! Esta gloriosa esperança é claramente declarada nas Escrituras:
"Devido ao fato de que os nossos rostos não estão cobertos, podemos refletir como espelhos a glória do Senhor. Estamos sendo transformados à Sua imagem [semelhança] de glória par a uma glória ainda maior. Esta transformação vem do Espírito do Senhor" (2 Co 3:18 simplificado).
Sim, devemos nos tornar semelhantes a Jesus – em natureza, palavras, e obras.
A. O CARÁTER DE CRISTO: O FRUTO DO ESPÍRITO
Como é de fato o caráter de Cristo? Qual é a natureza da Sua vida? O tornarmo-nos semelhantes a Jesus deve ser mais do que um mero pensamento agradável. Deve ser mais do que uma mera ideia genérica. Precisamos conhecê-Lo de fato para nos tornarmos semelhantes a Ele.
Lemos em 2 Coríntios 3:18 que o Espírito do Próprio Senhor é a fonte da nossa nova vida.
Paulo cita as qualidades da vida de Cristo com as seguintes palavras:
"O fruto do Espírito é o amor, a alegria, a paz, a paciência, a benignidade, a bondade, a fidelidade, a mansidão, e o auto-controle" (Gl 5:22 simplificado).
Os frutos do Espírito formam um lindo "retrato falado" do caráter de Cristo. Cada fruto é uma qualidade específica da Sua vida um aspecto do Seu "ser".
A mesma coisa é observada na natureza. A luz branca se divide em todas as cores do arco-íris ao passar por um prisma de vidro.
Os Frutos do Espírito são as cores do arco-íris da vida de Cristo.
Os Frutos do Espírito retratam os lindos aspectos da vida de Cristo. Poderíamos talvez fazer um esboço dos frutos do Espírito da seguinte maneira:
1. Bênçãos Internas
a. Amor sermos amorosos no coração
b. Alegria sermos alegres no coração
c. Paz termos paz no coração
2. Bênçãos Externas
a. Paciência sermos pacientes com os outros
b. Bondade sermos bons para com os outros
c. Benignidade sermos benignos com os outros
3. Bênçãos Ascendentes
a. Fidelidade sermos fiéis a Deus
b.Mansidão/Docilidade sermos dóceis diante de Deus
c. Auto-controle sermos controlados por Deus
Podemos ver prontamente que as "bênçãos" acima facilmente se interpolam. Se formos amorosos em nossos corações seremos amorosos para com os outros e para com o Senhor também. Contudo, a ilustração mostra, de fato, como os frutos do Espírito atingem todas as direções para produzirem grandes bênçãos. A lista acima inclui muitas das características importantes da vida de Cristo, mas há outras também. Paulo nos dá estes nove frutos como exemplos a serem estudados por nós.
B. CHAVES PARA UMA VIDA FRUTÍFERA
1. Ser Versus Sentir
É importante vermos que os frutos do Espírito nos mostram o que Cristo "é", pois são qualidades do Seu "ser". Cristo não é somente amoroso Ele é o amor. Ele não é somente alegre Ele é a alegria. Ele não somente tem a paz Ele é a paz. Assim sendo, como resultado do que temos e somos n'Ele, nós também podemos ser amorosos, alegres, e podemos ter a paz.
Tomemos o fruto da alegria como exemplo.
Temos a alegria, quer a estejamos sentindo ou não, porque temos a Cristo em nossos corações. Ele disse que nunca nos deixaria nem nos abandonaria tampouco a Sua alegria nos deixará. Os sentimentos ou as emoções da alegria seguem a nossa fé com relação a este fato. Eles são a reação emocional à realidade espiritual. A alegria do Senhor é o Senhor!
O fruto da alegria pode ser expresso de diferentes formas. Às vezes, pode ser bem intenso, alto, e vívido. As pessoas podem até cantar, gritar, dançar, e rir:
"Transformaste o meu pranto [angústia] em dança. Mudaste as minhas vestes de tristeza para vestes de alegria. O meu coração cantará a Ti e não ficara em silêncio. Ó Senhor meu Deus, dar-Te-ei graças para sempre" (Sl 30:11,12 simplificado).
Em outras ocasiões a alegria do Senhor pode fluir como um rio forte e plácido. Ela pode até mesmo nos levar ao fruto da paz, assim como uma cor do arco-íris se mistura com a outra.
2. As Dificuldades Produzem os Melhores Frutos
Isto nos conduz a uma outra verdade sobre os Frutos do Espírito. Ele crescem melhor no terreno difícil das nossas vidas diárias.
Enfrentamos muitas coisas, todos os dias, que são opostas à nossa vida em Cristo. Ao invés do amor, enfrentamos o ódio e as hostilidades. Ao invés da alegria, deparamo-nos com a tristeza, com a angústia, e com a dor. Ao invés da paz, encontramos as pressões, as tensões, as discórdias, e as lutas.
Estas forças das trevas infiltram-se nas pessoas, nos lugares, e nos eventos dos nossos afazeres aqui na terra. Às vezes gostaríamos de poder correr e escapar disto tudo. Em geral isto não é possível, e mesmo se fosse possível, talvez não encontrássemos o alívio desejado. Este seria bem o caso, se parte do problema se devesse às nossas próprias atitudes e ações.
No entanto, Deus tem de fato uma resposta. A maioria dos nossos problemas internos ou externos são causados por forças opostas aos Frutos do Espírito. Podemos chamar estas forças de frutos da "carne" a nossa antiga natureza pecaminosa.
Rebeldia, Indisciplina, Desordem, Fraqueza de vontade
Jesus sempre produz o fruto da "vida" o fruto do Espírito. Satanás sempre produz o fruto da "morte" o fruto da carne. Podemos escolher a qual deles nos entregaremos.
Em ocasiões de apuros somos geralmente tentados a reagir de acordo com a nossa antiga natureza pecaminosa. Se este for o caso, estaremos nos entregando á influência errada. Isto somente trará uma nuvem de trevas e morte sobre nós e sobre os outros também. Além disso, quanto mais nos entregamos à "carne", pior ficamos.
Com o passar do tempo, estas características mortais fixam-se em nosso caráter. Quando isto acontece, agimos e parecemos mais com o diabo do que com o Senhor. O quadro mais triste do mundo é o de um cristão derrotado. Ele tem a vida de Cristo em seu coração, mas o Espírito de Deus encontra-Se tremendamente entristecido. Conseqüentemente, a glória do Senhor não brilha mais sobre a sua face somente trevas podem ser vistas.
Esta história, porém, pode ser diferente bem diferente! Os tempos de dificuldades também podem ser tempos de grande crescimento em Cristo. Se olharmos para a vida e o poder do Seu Espírito dentro de nós, poderemos nos fortalecer em nossas áreas fracas.
A luz sempre vence as trevas. As trevas nunca conseguem apagar a luz. Uma só vela consegue expulsar as trevas de uma sala inteira.
A mesma coisa se aplica no âmbito do Espírito. A luz do amor sempre pode expulsar as lúgubres trevas do temor, da ira, e do pesar. Aliás, os melhores frutos do Espírito de Deus podem desenvolver-se nos tempos mais difíceis. A partir do solo da nossa fraqueza, Ele aperfeiçoa a Sua força. O Seu amor cresce melhor quando nos encontramos num cenário nada amoroso.
A nossa reação natural em tempos ruins é a de reagirmos com ira ou temor. O Espírito Santo, no entanto, tenta vencer o mal com o bem. À medida em que nos submetemos ao Seu Espírito, o amor de Deus fica cada vez, mais forte em nossas vidas. Tornamo-nos cristãos melhores e mais semelhantes a Jesus em nosso caráter. A Sua glória paira sobre nossas vidas e tornamo-nos uma bênção para Deus, para os outros, e até mesmo para nós próprios!
a. O "Espinho" de Paulo. Esta verdade sobre o desenvolvimento do caráter cristão é observada na vida do Apóstolo Paulo. Ele recebeu um "espinho na carne" para mantê-lo humilde. O que quer que tenha sido, trouxe-lhe muita dor e dificuldades. Por três vezes ele pediu que o Senhor o removesse, mas o seu pedido foi sempre negado.
Por que Deus permitiria que algo tão doloroso fizesse parte da vida e do ministério de Paulo? Por que Ele não o removeu quando Paulo orou? A resposta é simples. Deus tinha algo melhor em mente algo sobre o qual o futuro ministério de Paulo poderia estar firmemente estabelecido. Paulo nos transmite esta verdade com as seguintes palavras:
"Aí então Deus me disse: A Minha graça será mais do que suficiente. Minha força será aperfeiçoada na tua fraqueza. Portanto, gloriar-me-ei de bom grado na minha fraqueza, pois é assim que o poder de Cristo poderá pairar sobre mim poderosamente... Pois é quando estou fraco que Ele me fortalece!" (2 Co 12:9,10 simplificado).
O princípio do crescimento de frutos bons é claramente visto: eles crescem melhor no solo das "condições contrárias" as pessoas e os lugares que se opõem aos frutos do Espírito.
Foi a partir do solo da "fraqueza" de Paulo que o fruto da "força" de Deus pôde desenvolver-se.
É a partir do solo da nossa tristeza e tribulação, e também do ódio dos outros por nós que o bom e doce fruto do amor, da alegria, e da paz pode desenvolver-se.
b. Nosso Bem / Sua Glória.
Sim, Deus permite que um certo grau de dor, de sofrimento, e de transtornos atinja as nossas vidas. Ele, porém, prometeu que nenhuma destas coisas seria em vão. Tudo contribui juntamente para o nosso bem e para a Sua glória.
Este "bem" e esta "glória" são o caráter de Cristo. O nosso ministério a Ele, à Igreja, e ao mundo requer de fato os frutos do Espírito em nossas vidas.
A falta de caráter é a razão principal pêlos fracassos do ministério da Igreja. Os ministros podem ser "chamados", podem ser altamente "dotados", e até mesmo "bem-sucedidos" em seus ministérios por algum tempo. Mas não duram muito se não tiverem o caráter cristão.
Os frutos do Espírito são o fundamento para um ministério forte, firme, e sólido para Deus. Isto se aplicava ao Apóstolo Paulo e também se aplica a nós hoje!
"Podemos, portanto, nos regozijar quando nos deparamos com problemas e tribulações. Sabemos que são bons par a nós, pois nos ajudam a aprendermos a ser pacientes. E a paciência desenvolve a força de caráter em nós. Desta forma, aprendemos a confiar em Deus cada vez mais.
"Finalmente, a nossa esperança e a nossa fé tornam-se fortes e firmes. Aí então somos capazes de ter as nossas cabeças erguidas, não importando o que aconteça. Sabemos que tudo está bem e que Deus nos ama com ternura. Sentimos o Seu caloroso amor dentro de nós porque Deus encheu os nossos corações com o Seu Espírito Santo" (Rm 5:3-5 simplificado).
Permita que os frutos do Espírito cresçam na sua árvore. Se você fizer isto, você também será frutífero em seu ministério ao Senhor, aos outros, e ao mundo.